09 de julho de 2026
Cultura

Exaltasamba em 'Esquema Novo'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O Exaltasamba está de cara nova. Ou, pelo menos, tentando fugir da alcunha de grupo de pagode e dar nova feição à sonoridade de suas músicas. Prova disso é o recente lançamento do CD “Esquema Novo”, cujo próprio nome já indica a busca por algo diferente do que a banda vinha fazendo até então.

Além de inserir elementos novos como metais, acordeom e bandolim, a banda apelou para versões de músicas como “Comida”, de Arnaldo Antunes, Sérgio Brito e Marcelo Frommer, imortalizada pelos Titãs, e “Meu Esquema”, de Fred 04, gravada originalmente pelo grupo pernambucano Mundo Livre S.A. “Buscamos uma sonoridade nova no disco”, diz o vocalista Thiaguinho, em entrevista ao JC Cultura.

O grupo, formado por ele (vocal e banjo), Péricles (vocal e banjo), Pinha (repique de mão), Izaías (violão e arranjos), Brilhantina (cavaco) e Théll (tantan), está em turnê pelo País para divulgar o novo trabalho e no final deste mês gravará um DVD ao vivo no Olympia, em São Paulo. “Chegar ao sucesso é difícil, mas não tão difícil quanto manter o sucesso. Tem que ter sorte, se compenetrar bastante no trabalho e tentar adivinhar o que o povo vai gostar de escutar”, admite o vocalista. Confira a seguir trechos da entrevista.

JC Cultura - O nome “Esquema Novo” indica que o grupo quer mudar sua imagem, se inserindo em um novo gênero musical? Thiaguinho - O nome tem dois motivos. O título remete também à faixa 4, chamada “Meu Esquema”. Essa música lembra muito o Jorge Ben, por causa do disco “Samba Esquema Novo”. Foi uma homenagem também porque ele é uma referência para nós. Procuramos fazer um disco diferente dos que já tínhamos feito. Tem elementos novos como metais, acordeom e bandolim. Buscamos uma sonoridade nova no disco. A música de trabalho, “Já Tentei”, é uma mistura que tem samba, RNB (rhythm and blues) e tem rap. A gente mudou tudo. O coro do disco também é diferenciado. É puxado mais para o rnb. Ousamos bastante.

JC - Por que? A sonoridade antiga da banda não convencia mais? Thiaguinho - Não é isso. Mas são 20 anos de carreira e dez discos. É legal ousar não só para diferenciar o trabalho, mas para nos diferenciar de outros grupos e chamar atenção nas rádios.

JC - É difícil manter o sucesso que vocês fizeram há alguns anos? Thiaguinho - É mais difícil manter pela situação que a música passa. Antigamente, disco vendia muito mais do que hoje. Hoje, somos atrapalhados pela pirataria. Mas não acho que seja mais difícil que antes. A dificuldade é a mesma. Chegar ao sucesso é difícil, mas não tão difícil quanto manter o sucesso. Tem que ter sorte, se compenetrar bastante no trabalho e tentar adivinhar o que o povo vai gostar de escutar.

JC - A gravação de “Comida” vai ao encontro dessa preocupação com a nova cara da banda? Thiaguinho - Nesse disco, estávamos procurando uma música que remetesse ao lado social, presente em todos os nossos discos. Foi uma sugestão da gravadora e tem apelo social. É uma maneira irreverente de reclamar.

JC - E “Meu Esque-ma”, do Fred 04? Thiaguinho - Também foi uma sugestão da gravadora que acatamos. Demos uma nova roupagem para a música. Ela é mais lenta com o Mundo Livre S.A. Agora ficou mais samba-rock.

JC - Como você definiria hoje o tipo de música que vocês tocam? Thiaguinho - Temos um estilo de música predominantemente romântico. O que geralmente toca nas rádios são nossas músicas românticas. Mas temos samba também, misturado a muitas coisas. Até pelas influências que cada um do grupo tem. Pegamos o samba como estrada e deixamos fluir nossas influências. Fazemos um samba do nosso jeito.

JC - Vocês não gostam do rótulo “pagode”? Thiaguinho - É pagode também. É um nome que acharam para rotular o samba novo. Mas as pessoas às vezes falam pagode para menosprezar.

JC - Quais são as referências musicais de vocês? Thiaguinho - Eu gosto muito de samba, de música black e de RNB. O grupo é muito influenciado pela MPB. Mas nossa maneira de escrever música lembra muito a bossa nova.

JC - A turnê passará pelo Interior paulista? Thiaguinho - Temos planos de passar pelo Interior, até porque sempre somos bem recebidos. Mas não temos data ainda.