09 de julho de 2026
Geral

Cremesp vai avaliar futuros médicos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Com o objetivo de melhor qualificar os recém-egressos na profissão médica, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) inicia neste ano um projeto-piloto de avaliação de formandos e recém-formados. De acordo com o presidente da entidade, Isac Jorge Filho, a prova ainda não será obrigatória e servirá de base para um futuro exame nacional. “Por enquanto, a avaliação vai servir para qualificar o currículo do médico, ressaltando a sua habilidade. Mas, no futuro, poderá se tornar obrigatória”, afirma.

Jorge Filho evita comparar a prova ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que habilita o bacharel em direito para advogar. “Não tem nada a ver com essa modalidade, pois, por enquanto, não há o caráter obrigatório”, destaca.

O projeto-piloto está sendo iniciado no Estado de São Paulo neste ano. Em outubro, serão realizadas duas provas - teórica e prática - visando avaliar como está a formação dos profissionais de medicina. A inscrição é gratuita e voluntária.

Para o membro do Conselho Regional de Medicina (CRM) de Bauru, médico Carlos Alberto Monte Gobbo, com o tempo, empresas e pacientes poderão dar preferência para profissionais que tenham esse certificado. “É um trabalho a longo prazo. Já que não podemos interferir na abertura de novas escolas de medicina, vamos avaliar como anda a formação desses profissionais que deixam as faculdades todos os anos”, destaca.

O Cremesp e os CRMs travam, já algum tempo, uma dura batalha com o Ministério da Educação visando impedir a proliferação de faculdades de medicina no País. Segundo Gobbo, a vertiginosa expansão dessas instituições contribui para a deterioração da classe. “Tem muita escola formando médicos sem qualificação e, nessa área, não podem haver profissionais ruins, pois isso coloca em risco a vida das pessoas”, destaca.

Reserva de mercado

Jorge Filho salienta que são esperados de mil a 1,2 mil inscrições para a prova, marcada para os dias 9 e 10 de outubro. O exame será realizado pela Fundação Carlos Chagas e testará não só teoria como a prática. “O participante terá de fazer simulações de problemas médicos”, explica Gobbo.

Segundo ele, a avaliação do Cremesp não visa criar um funil na categoria médica, mas sim verificar se o recém-formado ou formando possui os requisitos básicos para exercer a profissão. “Não vamos criar reserva de mercado, não é essa a intenção. Queremos estimular a melhora no nível de formação dos médicos”, destaca.

Como vai abranger apenas o Estado de São Paulo, o exame não pode ter característica eliminatória, como ocorre no exame da OAB, tão comentado pelo alto número de reprovações.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), no entanto, estará acompanhando o desenvolvimento desse projeto-piloto para averiguar a sua viabilidade nacional.

Segundo Gobbo, em São Paulo há, atualmente, 28 faculdades de medicina, que lançam ao mercado de três a quatro mil profissionais todos os anos. “Se continuar nesse ritmo, teremos, em cinco anos, um médico para cada 200 habitantes no Estado, quando o recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é um médico para cada grupo de mil habitantes”, ressalta o conselheiro do CRM de Bauru.

Ele diz que a implantação da avaliação foi bastante debatida no Cremesp e teve opiniões praticamente unânimes entre os 42 conselheiros.