08 de julho de 2026
Geral

ONG luta para combater a prática

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Em abril de 2000, um grupo de pessoas comprometidas com o combate à corrupção resolveu se unir para criar a Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil, com sede em São Paulo. Desde então, a entidade vem se dedicando a ajudar organizações civis e governos a desenvolverem metodologias que possam inibir a prática.

O secretário-geral da ONG, Cláudio Weber Abramo, afirma que as denúncias de corrupção em Brasília precisam servir de lição. “O momento de crise é importante para se avançar, não no sentido de gritar ‘pega ladrão’, mas porque ele aponta a vulnerabilidade do Estado e oferece a oportunidade de reformulação da estrutura”, destaca.

Ele observa que os casos de menor reprecussão também merecem atenção, em especial quando envolvem a administração pública. “A pequena corrupção é combatida pelo aperto dos mecanismos de controle dentro de cada instituição. É um trabalho que só pode ser feito por meio da adoção de programas administrativos, o que torna sua execução mais difícil e não dá ibope”, opina.

Abramo aponta mecanismos que contribuem para inibir a troca de favores. “Para combater o desperdício que a corrupção causa, é preciso levantar as vulnerabilidades elaborando um mapa de risco, verificando quais instâncias têm pouco ou nenhum controle e introduzindo as modificações necessárias para corrigir os problemas. Isso só pode ser feito caso a caso. Ninguém pode decretar que, de hoje em diante, todos os processos serão mais eficientes”, ressalta.

A ONG é associada à Transparência Internacional, entidade que divulga anualmente o Índice de Percepções de Corrupção. “São opiniões sobre graus de corrupção em países, expressas por pessoas ligadas a negócios internacionais”, explica.

No relatório de 2004, o Brasil aparece em 59º lugar entre os 146 países que integram o estudo. “Vale destacar que se tratar de um índice de percepções, até porque não existe possibilidade de se medir nível de corrupção”, declara.

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Gorjeta

A pequena corrupção tem tantas ramificações que nem mesmo os garçons escapam da prática. A cena é clássica: o convidado de uma festa, interessado em ser atendido a todo instante, coloca uma nota de dinheiro no bolso do profissional que irá lhe servir. Em troca, a sua mesa recebe tratamento vip.

O presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, Restaurantes, Bares e Similares (Sechorbs), Francisco Pereira de Andrade, foi garçom durante 30 anos. Ele afirma que o dinheiro oferecido pelos clientes é um incentivo para o profissional. “Quando a pessoa que dá gorjeta chega na porta, todo mundo quer atendê-la. Aí, é balde de gelo na mesa toda hora”, exemplifica.

Andrade destaca, no entanto, que o bom garçom nunca deve lesar o local onde trabalha por causa da gorjeta, oferecendo bebidas ou refeições sem cobrar pelo produto. Ele também não pode tratar mal os clientes que não costumam adotar a prática.

Aposentado do uniforme, o sindicalista conta que agora está do outro lado. “Quando chego a uma festa e tenho dinheiro, coloco R$ 10,00 no bolso no garçom e aviso que estou com um pessoal e gostaria de ser bem atendido. Sempre funciona”, relata.