Brasília – As caneladas do Roberto Jefferson (PTB-RJ) já tiraram pelo menos dois times inteiros do governo Lula e adjacências. De início nada menos que quatro ministros, a começar pelo seu alvo preferido, o colega deputado José Dirceu (PT-SP), a quem derrubou depois do famoso “sai daí, Zé, para não fazer réu um homem inocente”. Foram caindo em seguida, diretamente ou por tabela, os ministros da Saúde, Humberto Costa (PT-PE); das Comunicações, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Romero Jucá (PMDB-RO).
Jefferson também derrubou quase toda a direção do PT, a partir de seu presidente José Genoíno, ao tesoureiro Delúbio Soares, o secretário-geral Sílvio Pereira e o diretor de comunicação, Marcelo Sereno. Com isso, Jefferson impulsionou a reforma ministerial pela qual Lula não se decidia, derrubando também o ministro da Educação, Tarso Genro (PT-RS), Ricardo Berzoin (PT-SP) e Aldo Rebelo (PcdoB-SP).
O estrago no PT também tirou da liderança do partido na Assembléia Legislativa do Ceará o deputado José Nobre Guimarães, irmão de Genoíno, assim como o diretor de organização do partido no Estado, José Adalberto Vieira da Silva, apanhado com os dólares na cueca e que acumulava a função de assessor do deputado. Foi demitido e outro petista envolvido, Kennedy pediu demissão do Banco do Nordeste, para o qual fora indicado pelo PT.
No ninho do escândalo, os Correios, foram sete os diretores demitidos, além do chefe de contratos, Maurício Marinho, flagrado embolsando R$ 3 mil e origem do tiroteio disparado por Roberto Jefferson. Os diretores Maurício Madureira e Eduardo Medeiros, lotados na cota de Sílvio Pereira precisaram ser demitidos duas vezes. Como são funcionários de carreira, perderam inicialmente a diretoria, mas foram re-contratados como consultores, ganhando mais de R$ 10 mil. Foram redemitidos.
O mesmo presidente Lula que, em abril, dizia que não demitiria ninguém por causa de manchete de jornal, e mantinha Romero Jucá, apesar das fortes denúncias contra ele, foi rápido no gatilho em responder outra acusação de Jefferson, em torno da mesada de R$ 3 milhões de Furnas a políticos e ao PT. Mandou demitir imediatamente Dimas Toledo, Rodrigo Campos e José Roberto Casaroni Cury.
Silenciosamente, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, aproveitou a onda e demitiu os vice-presidente do Banco do Brasil Luiz Eduardo Franco de Abreu, de Finanças, e Edson Monteiro, de Varejo. Operação de “despetização” no BB iniciada com a substituição por Rossano Maranhão do ex-presidente Cássio Casseb, denunciado por envio suspeito de dinheiro para o Exterior.
O Banco do Brasil ainda deve sofrer novas baixas, como o presidente do Banco Popular, Geraldo Magela (PT-DF), que já anunciou que é candidato ao Governo do Distrito Federal, posto que perdeu nas últimas eleições para o atual governador Joaquim Roriz. Henrique Pizzolato, diretor de marketing e responsável pelo “patrocínio” de show caipira em benefício do PT deve sair junto e também se especula a respeito do vice-presidente de Tecnologia e Infra-Estrutura, José Luiz de Cerqueira César.
Na Câmara dos Deputados, já caiu o líder do PMDB, José Borba (PR), presente nas listas de prováveis futuros cassados, ao lado de pelo menos outros dez deputados da base aliada. As caneladas de Jefferson fizeram estrago até na oposição. Não fosse o clima criado, não teria sido expulso do PFL o “bispo” deputado João Batista (SP), flagrado com R$ 10 milhões ditos da Igreja Universal, em um jatinho. Destino que também pode ter o deputado estadual do PFL mineiro, pastor George Hilton, também apanhado com caixas e caixas de dinheiro vivo e cheques no Aeroporto da Pampulha.
Em tempo: Roberto Jefferson, o tenor trovador chutou tanto que também caiu da presidência do PTB, formando um quadro estranho, pois a quase totalidade dos atingidos eram do mesmo time. Com esse time, o presidente Lula não precisa de oposição.