08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

E agora, José?


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Não sou supersticioso e mesmo assim estou começando a acreditar que os Zés políticos estão vivendo o seu inferno astral, na melhor das hipóteses. A controvertida figura de Zé Dirceu leva tiros de todos os lados, transformando-se em ponto de referência da corrupção nacional. Dizem que o ex-ministro sabia de tudo e permanecia calado, sem comunicar ao presidente Lula aquilo que lhe chegava. Ora, amigos petistas dizem que trata-se de uma campanha organizada, orquestrada com a finalidade de minar o governo federal.Então, a orquestração vem de algum tempo, desde as denúncias de caixinha na Prefeitura de São José dos Campos, Santo André, a loteria de Waldomiro Diniz, Correios, e tantas outras denúncias que atingem frontalmente o ex-homem forte da República petista. Ainda não exploraram o fato de ter contratado o jornalista e escritor Fernando Moraes para pesquisar e escrever a história do MOLIPO – Movimento de Libertação do Povo – idealizado por Zé e dizimado pela repressão ditatorial. Aposto e tenho certeza de que ganho de que o ex-ministro será descrito como o símbolo do revolucionário perfeito, muito embora militantes históricos digam o contrário.

O que causa preocupação é a forma com que o Zé estanquizava informações, impedindo que o presidente da República delas tivesse conhecimento. Que isso sirva de alerta a outros “Zés” detentores do poder executivo e que comecem a desconfiar quando seus fiéis escudeiros, notadamente aqueles que não conseguem olhar no rosto, nos olhos do interlocutor, começarem a querer isola-los, afastando-os do povo e de antigos correligionários.

Isso é péssimo sinal.

Ou o assessor está querendo esconder o pó debaixo do tapete ou usa indevidamente o nome do “chefe” em busca de benesses pessoais. E quando o governante descobrir, o escândalo já será de domínio público, desmoralizando muitas vezes indevidamente uma vida ilibada. Como não estou podendo correr e muito menos quero evitar tais “incêndios”. Vou me preparando para assistir de camarote a performance dos Neros modernos.

Antonio Pedroso Júnior