Apesar das limitações e desconfortos provocados pela redução do estômago, pacientes consultados pelo JC afirmaram que a cirurgia compensa.
“Os problemas que eu tenho, já tinha consciência que iria enfrentar. Eu não me arrependo. Faria tudo de novo se tivesse necessidade”, destaca a assitente social Maria Luiza Bérgamo Olivato, 58 anos, que pesava 106 quilos e agora está com 57. “As pessoas devem fazer essa cirurgia conscientes e estar preparadas emocionalmente. Vida “normal” a gente não consegue ter nunca mais, como beber e comer à vontade”, complementa.
Uma paciente de 65 anos, que preferiu não ser identificada, afirma que não conseguiu emagrecer a quantidade prevista, mas também ressalta que não está arrependida. Quando realizou a cirurgia há mais de cinco anos, a paciente tinha 125 quilos e hoje pesa 95.
Ela afirma que toma moderador de apetite para conter a compulsão alimentar. “Eu não resisto e como de tudo”, diz a idosa, que não tem tido acompanhamento psicológico e nutricional. Ela também admite que aumentou o consumo de álcool depois da cirurgia e acredita que isso tenha ocorrido devido à ansiedade.
Márcia Barbutti Broleze engrossa a lista de pacientes que não estão conseguindo disciplinar seus hábitos alimentares. “Eu teria que parar de beliscar a toda hora, saber escolher melhor os alimentos para ter uma digestão melhor, mas isso eu não faço. Você opera o estômago e não a cabeça”, diz ela, ressaltando, no entanto, que está satisfeita com a cirurgia. Após o procedimento, Márcia também não se submeteu ao acompanhamento indicado com psicólogo e nutricionista.
Ganho de peso
O cozinheiro Odelço Freitas da Silva, 40 anos, fez a cirurgia para a redução do estômago em 1998, no Hospital das Clínicas de São Paulo. Na época, tinha 205 quilos. Depois da cirurgia, chegou a perder 80 quilos, mas ganhou novamente peso e hoje está com 150 quilos.
“Depois de um tempo, é possível armar mecanismos para driblar a cirurgia e ingerir mais, como comer e beber água”, relata.
O cozinheiro teve complicações pós-cirúrgicas, como a perda dos movimentos das pernas por alguns meses e intensas cólicas gastrointestinais. Afirma também que ainda hoje continua travando batalhas com seu estado emocional. “Às vezes estou a um passo de entrar em depressão. Você faz a cirurgia e tem aquela expectativa de resolver tudo de uma vez e não é assim. O tratamento principal é o da cabeça. Porque você sente a falta da comida e tem que se apegar em alguma coisa. Então, você se agarra na bebida, em droga, ou entra em depressão”, diz o cozinheiro, que diz contar com a ajuda de psicólogos para resistir às compulsões.
Apesar das dificuldades, Silva, que é morador da Chapada dos Guimarães (MT), afirma que não se arrependeu de ter feito a cirurgia. Ele conta que sua vida social melhorou, assim como sua auto-estima e saúde.
Para as pessoas que querem fazer a operação, Silva alerta sobre a necessidade de preparo psicológico. “A cirurgia representa 40% e a parte psicológica é responsável por 60% do sucesso. Se você não estiver bem da cabeça, não faça”, diz o cozinheiro, que se preparou um ano e oito meses para se submeter à operação.