Marília - O juiz da 2.ª Vara da Comarca de Marília, José Henrique Ursulino, condenou duas mulheres e um homem a quatro anos de prisão por suposto crime sexual contra uma criança e três adolescentes.
A sentença foi dada na sexta-feira passada e atinge diretamente Amanda Renata Celenza, Marisa Lopes de Araújo e Célio Fernandes. Eles são acusados de agenciar programas sexuais para empresários e políticos da cidade com menores de idade.
Amanda e Marisa estão presas há um ano na cadeia feminina de Vera Cruz. Elas foram detidas assim que o crime foi denunciado. Fernandes está em liberdade e, apesar da condenação em primeira instância, deverá continuar livre até o julgamento final da ação.
Segundo o juiz, não existe ordem de prisão preventiva contra o acusado. Tanto Fernandes quanto as duas mulheres ainda podem recorrer da sentença nos tribunais superiores, em São Paulo e Brasília.
Os três foram condenados com base no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente. De acordo com a legislação, submeter criança ou adolescente à prostituição ou exploração sexual é crime punível com quatro a dez anos de prisão e multa. No caso da condenação de sexta-feira, o valor da multa ainda não foi definido, segundo informou Ursulino.
Em sua decisão, o juiz absolveu Geni Lopes Dias, que também havia sido acusada pelo Ministério Público (MP) de Marília, por falta de provas suficientes que comprovassem a participação dela no delito.
Existem suspeitas também sobre Marisa Licate, mas, segundo explicou o juiz, ela irá responder pela denúncia em uma ação à parte.
Outras pessoas, acusadas de terem se beneficiado dos programas sexuais com as menores, também estão sendo investigados em processos paralelos. Algumas denúncias foram arquivadas, outras suspensas.
De acordo com a denúncia do MP, apresentada há cerca de um ano, Marisa e Amanda se prostituíam e mantinham encontros com homens. Elas recrutavam as adolescentes para participarem dos programas sexuais mediante promessas de pagamento. O MP aponta Fernandes como sendo a pessoa que agenciava encontros com uma das vítimas e recebia comissão pela intermediação.
A reportagem não conseguiu falar com os acusados. No processo, todos negam participação no crime. Uma das mulheres condenadas nega inclusive que seja prostituta.
Por causa do envolvimento de políticos e empresários no caso, a polícia manteve sigilo durante a maior parte das investigações. No dia 15 de dezembro do ano passado, o jornal Diário de Marília divulgou que a polícia havia retomado os depoimentos porque algumas das vítimas teriam acrescentado nomes de mais pessoas acusadas de serem clientes, entre eles políticos.
Os nomes dos políticos envolvidos nunca foram confirmados oficialmente. Segundo o jornal, pouco tempo depois de acusar políticos, autoridades e empresários, uma das meninas mudou seu depoimento na polícia. Sem maiores explicações, ela retirou alguns nomes.
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Outro caso
Há pouco mais de um mês, um outro caso de pedofilia em Marília ganhou destaque na imprensa. Na ocasião, o padre José Eduardo Balikian, 38 anos, foi acusado de ter abusado sexualmente de duas irmãs de 15 e 16 anos.
Segundo denúncia feita pelo pai das meninas à polícia, o padre teria se utilizado de informações obtidas no confessionário para seduzir as garotas. O pai levou o caso à polícia depois de ter flagrado o padre com uma de suas filhas em frente a um drive-in.
O padre chegou a ficar preso por cinco dias na cadeia de Gália. Ele foi detido em Londrina (PR), na casa de um amigo, onde estaria se escondendo depois que a denúncia chegou à polícia.