Cerca de 500 jovens discutiram ontem, em Bauru, propostas de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida na 2ª Conferência Regional Lúdica dos Direitos da Criança e do Adolescente. Jenifer Caroline Luiz, vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente (Condeca), avalia que as políticas praticadas pelo Estado, geralmente, não trazem o retorno esperado por falta de conversa com o público.
Amanhã, será formalizado um documento com as principais propostas elaboradas pelos adolescentes que participaram do evento. As delegações vieram de 38 municípios da região, com integrantes dos conselhos municipais dos direitos da criança e do adolescente.
O documento que vai ser redigido nesta quinta-feira será encaminhado para a Conferência Estadual Lúdica, que será realizada em Ribeirão Preto, entre os dias 5 e 8 de outubro. Ontem, também foram escolhidos os delegados que vão representar a região de Bauru na conferência estadual.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente de Bauru, Maria Moreno Perroni, avalia que a conferência reverte a distorção em que os adultos discutem e não perguntam às crianças e aos adolescentes quais suas reais necessidades.
A 2.ª Conferência ocorreu durante todo o dia na Universidade do Sagrado Coração (USC), com palestra do juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer. O evento comemorou os 15 anos de implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e propiciou aos participantes conhecerem melhor seus direitos e deveres.
Na seqüência, os jovens foram divididos em grupos para o debate de propostas. Depois, houve aprovação do documento em plenário e eleição dos delegados.
Atentos à realidade
A maneira extrovertida, algumas vezes ingênua, com que o adolescente lida com assuntos “sérios” dá a falsa impressão de que ele não reúne condições de tomar decisões sobre o que é mais conveniente para si e para a coletividade.
Entretanto, as facilidades de acesso às informações demonstram que, na prática, a moçada tem muito mais capacidade de avaliar e discernir sobre o mundo em que vive do que as autoridades imaginam.
Na 2.ª Conferência Regional Lúdica dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizada ontem em Bauru, muitos meninos e meninas deixaram atividades agradáveis de férias para se deslocar de municípios distantes com o objetivo de discutir propostas de políticas públicas que possam melhorar seu dia-a-dia.
Mais do que um passeio, quem esteve em Bauru encarou o encontro como uma oportunidade para expressar seus anseios e o que pensa. O estudante Carlos Rafael de Oliveira, 13 anos, aluno da 7.a série da escola estadual Dona Isabel Silveira Melo, localizada em Brotas, enfrentou 100 quilômetros de estrada até chegar em Bauru para poder ouvir e dar sugestões sobre o que deve melhorar na vida de crianças e adolescentes no Brasil.
Para ele, é preciso diminuir a desigualdade social. “Tem que garantir o estudo. Tem muitas pessoas que não sabem ler e nem escrever. Tem que ter mais emprego. Sei que tem muita violência, então tem que colocar mais polícia nas ruas”, aponta.