A nefrologista Maria Regina Trotta Pinheiro, uma das responsáveis pelo setor de hemodiálise do Hospital de Base, denunciou ontem que os problemas nas máquinas e na aquisição de insumos para a realização do tratamento não são de hoje. Segundo ela, esses fatos vêm acontecendo com certa freqüência há cerca de seis meses. “Nós já protocolamos várias cartas para a gerência financeira da entidade (AHB) avisando sobre o que está ocorrendo na hemodiálise”, frisa.
Segundo ela, como a resposta da administração apontava para a solução do problema em breve, as médicas decidiram buscar uma medida paliativa para amenizar a crise e manter o atendimento de todos os 109 pacientes. “Reduzimos o tempo de hemodiálise na expectativa da solução do problema. Mas isso virou rotina e não podemos prolongar essa prática, pois isso causa danos aos pacientes”, afirma.
Pinheiro destaca que a prescrição de hemodiálise é uma decisão muito importante para o paciente se mantenha vivo. E ela deve ser realizada 12 horas por semana, ou seja, três sessões semanais de quatro horas de duração. Os filtros capilares têm de ser utilizados, no máximo, por 12 vezes - tudo isso é determinado por uma portaria do Ministério da Saúde. “Se o hospital não está conseguindo investir nesse serviço, nós vamos nos reunir com a diretoria e estudar uma maneira de equacionar essa questão”, diz a médica.
Diante da crise, ela e as outras duas médicas responsáveis pelo serviço – Tereza Maria Speranza Faifer e Silvia Lilian Bettoni – decidiram que não vão mais ferir a prescrição da hemodiálise.