07 de julho de 2026
Geral

Pacientes poderão ser transferidos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Uma reunião será realizada hoje, às 11h, entre a direção da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e as médicas responsáveis pelo setor de hemodiálise do Hospital de Base (HB) para definir como vai ficar o atendimento aos pacientes diante da crise de equipamentos e insumos.

De acordo com a médica nefrologista Maria Regina Trotta Pinheiro, uma das responsáveis pela área, uma das alternativas é remover pacientes da região para realizar a hemodiálise em outros hospitais. “Diante do problema pelo qual estamos passando, o mais correto seria diminuir a demanda de pacientes até que as máquinas estejam consertadas e prontas para o uso”, destaca.

Grande parte dos renais crônicos atendidos pelo HB vêm de outras cidades da região, como Lençóis Paulista e Agudos. As médicas deverão propor à direção que envie essas pessoas para realizar tratamento em hospitais de Jaú e Marília, por exemplo, mantendo no HB apenas os pacientes de Bauru. “Seria uma maneira de dividir esse problema com outras instituições, enquanto a gente encontra uma solução mais adequada para restabelecer totalmente o atendimento”, destaca.

Apesar da sugestão estar partindo das próprias médicas, Pinheiro adianta que será difícil conseguir consolidá-la. “Os serviços de hemodiálise dos hospitais estão operando no limite e dificilmente conseguiremos vaga”, destaca.

O que não pode, segundo ela, é deixar de prestar atendimento. “Ontem (anteontem), liberamos cinco pessoas sem realizar o tratamento, pois não tínhamos máquinas para elas utilizarem. Mas essa foi uma medida extrema, pois estamos com a água batendo no pescoço”, salienta a médica.

O critério utilizado para escolher quem seria dispensado foi a ordem de chegada. “Quem foi chegando primeiro, foi recebendo o atendimento”, destaca.

Das 21 máquinas de hemodiálise do HB, cinco estavam quebradas ontem à tarde, segundo Pinheiro. Pelo menos uma paciente, proveniente de Lençóis Paulista, ficou sem o atendimento por causa disso.

A estudante Vanessa Rezende, que faz hemodiálise há sete anos, diz que a situação precária do atendimento tem deixado os pacientes inseguros. “Nós temos medo de ficar sem realizar o processo, pois dependemos disso para continuar vivendo”, destaca.

Suspeita de morte

O estudante Alcides Alex Ferreira procurou a reportagem do Jornal da Cidade ontem para denunciar uma desconfiança: ele acredita que sua mãe, Magdalena Antonia de Oliveira Monteiro, 72 anos, pode ter morrido em decorrência da falta de hemodiálise no Hospital de Base.

O atestado de óbito dela aponta a morte em decorrência de insuficiência respiratória aguda e renal crônica, além de miocardiopatia dilatada. “Minha mãe ficou internada cerca de dez dias no HB, precisando da realização da hemodiálise, e não foi atendida. Quando conseguimos transferi-la para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), ela morreu”, frisa.

Ele diz que a família tinha consciência de que a paciente necessitava do tratamento renal e que cobrou isso do hospital, mas a informação que receberam é de que não havia máquina para realizar a hemodiálise. “Eles esperaram minha mãe ficar em estado grave para encaminhar para a UTI e, ao chegar lá, ela morreu sem fazer a hemodiálise”, salienta o estudante.

Ele diz que pretende entrar na Justiça contra a AHB. “Vou levar o caso até as últimas conseqüências”, frisa.

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Boletim de ocorrência

A Polícia Civil está iniciando uma investigação preliminar para saber o que está acontecendo no setor de hemodiálise do Hospital de Base (HB). De acordo com o delegado titular do 3.º Distrito Policial (DP) de Bauru, Marcelo Haddad, cinco pacientes fizeram um boletim de ocorrência ontem de comunicação de fato.

“Eles reclamam da falta de insumos para o tratamento e da precariedade na manutenção das máquinas, além da ausência de material tais como álcool e luvas”, ressalta o delegado.

De acordo com ele, antes de instaurar inquérito, a polícia precisa verificar se essa reclamação tem fundamentação criminal. “Vamos ouvir as partes e apurar se é um fato administrativo ou tem caráter criminoso. Daí sim, poderemos falar em abrir inquérito”, destaca.

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Saiba mais

O que é a hemodiálise?

A hemodiálise é um procedimento que filtra o sangue. Através dela, são retiradas do sangue substâncias que quando em excesso trazem prejuízos ao corpo, como a uréia, potássio sódio e água.

Como é feita a hemodiálise?

É feita com a ajuda de um dialisador (capilar ou filtro). O dialisador é formado por um conjunto de pequenos tubos chamados "linhas". Durante a diálise, parte do sangue é retirado do corpo, passa através da linha em um lado, onde o sangue é filtrado e retorna ao paciente pela linha do lado oposto.

Quem determina a duração da hemodiálise?

O médico é quem determina a quantidade de hemodiálise que o paciente precisa de acordo com o estado de atividade do corpo, da alimentação e ingestão de líquidos. O objetivo do tratamento é que o paciente esteja sempre se sentindo bem, bem nutrido, livre de inchaços, com a pressão controlada e com os exames de sangue mostrando quantidade aceitável de potássio, uréia, etc.

Fonte: www.rim-online.com.br