09 de julho de 2026
Auto Mercado

Senhores do volante

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Há 42 anos, o bauruense Alberto Salvador estaciona seus táxis - atualmente ele utiliza um Monza, mas por suas mãos já passaram Opalas, Fuscas, um Ford 1949 e um Chevrolet 1939 - sempre no mesmo e “sagrado” ponto, o da praça Rui Barbosa, situado na área central da cidade, à espera de clientes. A rotina vivida já há várias décadas o credencia a ser não apenas um dos mais experientes e antigos motoristas profissionais da praça, mas também uma verdadeira “enciclopédia” cheia de histórias. E essas realmente não lhe faltam para contar.

Das inúmeras que não lhe saem da memória ele conta que os “calos” da profissão merecem um capítulo à parte. “Hoje em dia é mais difícil trabalhar do que antigamente, pois tem mais drogas e vagabundos por aí pelas ruas. É por isso que deixei de trabalhar à noite. Além disso, antes a gente ganhava mais dinheiro, principalmente na época em que a zona da Eny estava aberta. Chegava a fazer até cinco corridas para o bordel para levar e buscar a rapaziada”, relembra Salvador.

No entanto, o taxista considera que os “calos” mais doídos são os clientes “malas” e os assaltantes. “O cara mais chato que transportei até hoje foi o que me roubou no ano passado. Ele levou dinheiro e meu carro, mas felizmente, e graças à Polícia, consegui recuperar o veículo”, afirma.

Ele acrescenta que também não gosta de carregar em seu táxi outra “categoria” em especial: as pessoas em visível estado de embriaguez. “Os bêbados, em geral, são chatos demais, pois ficam de conversa mole dentro do carro e falam cuspindo na gente. Muitos questionam o valor indicado no taxímetro e esbravejam: ‘Mas está marcando tudo isso aí!’. E nesses momentos costumo responder: ‘Sim, é tudo isso aí mesmo que o senhor vai pagar’. Fazer o que? Temos de aguentar!”, ressalta.

Ao ouvir o caso contado por Salvador, seu companheiro de ponto, o também taxista José Flávio de Lima, há “apenas” sete anos no ramo, se aproxima e não perde a chance de narrar a história de um passageiro “esquisito”. “Era um rapaz que chegava vestido de branco, com cocar e colares, e pedia para levá-lo até uma figueira na estrada para Iacanga a fim de fazer um despacho no local. Ele ia sempre pra lá e só sei que, depois de tanta vela que colocaram na árvore, ela até já secou”, relata Lima, rindo.