08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Erros gramaticais


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Sem desmerecer os trabalhos do professor Darvino que, aos domingos, no JC, publica lições de gramática do idioma português, estamos de acordo com o sr. Adriano Coelho Hernandes. Não é só o povo quem erra. Todos erramos: o advogado, o médico, o professor de português... Nossa língua é um composto de incongruências. Contém regrinhas e mais regrinhas que nos confundem (prótese, epêntese, paragoge, aférise, síncope, apócope, catacrese, sínquese, hiperbibasmo, mesóclise, sinestesia, diástole etc, etc.)

Para não ficarmos submissos às regras ditadas no reinado de D. Afonso Henriques (1140/1179) e algumas posteriores, deveríamos dar um novo grito de independência no sentido de obtermos uma ampla reforma em nosso idioma. Quanto tempo é gasto no uso do dicionário para sabermos se uma determinada palavra é escrita com Z ou S; com S, C ou SS; com J ou G; com hífen ou não; com um X que não é pronunciado... Bem faz nosso presidente da República que, contrariando a regra gramatical, em vez de empregar o pronome pessoal do caso oblíquo como objeto direto, usa o pronome pessoal do caso reto: “Considero ele, o deputado Francisco, meu grande amigo”.

A nós nos parece (sr. revisor, não fazer a correção, pois se trata de um elegante pleonasmo) que todas as reformas feitas, até hoje, em nossa língua, não atingiram, nem a sua essência, nem os seus abundantes sistemas morfológico e sintático. O arcaísmo idiomático português, que tanto nos prejudica, assemelha-se a uma suntuosa carruagem puxada por gramáticos retrógrados... Não se apercebem eles que o progresso chegou e que as regras do idioma devem ser simplificados para ficarem ao alcance de todos que cursarem, pelo menos, o ensino fundamental?

A China - colosso econômico mundial - começa a preparar uma ampla reforma ortográfica. O idioma inglês não usa acentos gráficos. E nós? Vamos permitir que milhões de brasileiros continuem analfabetos por causa da complexidade das regras do idioma?

José Perea Martins - RG 3.571.804-3