Região conhecida por produzir muita cachaça, e das boas, segundo os especialistas, Lençóis Paulista e Borebi estão tentando se destacar na produção de vinho. Não pela qualidade e muito menos pela quantidade, mas por uma característica própria e única: o prazer de saborear a bebida acompanhada de muitos amigos. Uma festa no estilo italiano ou português de receber.
A produção é artesanal e não tem seu foco direcionado para a venda, mas há exceções. O objetivo maior é manter a tradição das famílias italianas e portuguesas que colonizaram a região.
Apreciar um vinho produzido em sua propriedade rural sem um lanchinho contendo um farto pedaço de queijo e um pão fresquinho é um "pecado" quase mortal para Joaquim da Silva Cristovão, mais conhecido como Joaquim português.
Ele tem prazer em mostrar sua "cantina" e oferecer uma boa taça de vinho, desde que o visitante aceite o lanche. Acostumado a dizer que nasceu embaixo de uma parreira, ele não dispensa um bom vinho, em qualquer hora do dia. Apaixonado pela bebida, ele fabrica vinho tinto e uma "espécie" de vinho do porto, além da bagaceira que esquenta qualquer mortal.
Embora a região não seja conhecida como grande produtora, no Brasil o título fica com o Rio Grande do Sul que em 2003 produziu 330 milhões de litros e tornou-se a responsável por cerca de 95% da produção nacional, Lençóis e Borebi, juntas, atingiram 14 mil litros no ano.
A região da serra Gaúcha é a grande vedete da vitivinicultura brasileira. É nos municípios de Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Garibaldi que estão concentradas as maiores vinícolas do País. O restante dos vinhos produzidos no Brasil são provenientes dos Estados de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo, que concentra sua maior produção nas cidades de Jundiaí e São Roque.
Vinho com sabor de amizade é o que não falta na "cantina" do primogênito da família Casagrande, seu Anério, como é conhecido. Apaixonado pela bebida, ele não esqueceu as lições de seus avós e pais: faz vinhos para oferecer aos amigos.
Seu irmão, Alcides Casagrande, também produz vinhos. Ele está no caminho da profissionalização, tem rótulo e comercializa o produto.
Nelo Zuntini prepara seu vinho com ingredientes nada convencionais e acrescenta doses de recordações de seus avós. Ele se emociona ao falar da qualidade da bebida feita na sua "cantina", em Borebi. Além do vinho, ele faz vodka e uma boa cachaça. Sabe receber muito bem e está se transformando em "professor" pardal para construir uma máquina onde irá fazer uma espécie de vinho do porto. Homem de poucas palavras, mas que sente um prazer enorme em receber seu seleto grupo de amigos, Luiz Santana Zillo é outro fabricante de vinho da região. Ele construiu sua adega com pedras de granito para manter a temperatura ambiente. Faz vinhos no estilo profissional com diferentes variedades de uvas, colhidas em sua propriedade.