10 de julho de 2026
Regional

Primogênito da família Casagrande segue arte de seus ancestrais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos mais antigos e conhecido morador de Lençóis Paulista, Anério José Casagrande, é também um apaixonado por vinhos. Primogênito da família, ele aprendeu com seus ascendentes italianos a arte de fazer vinho com qualquer tipo de uva. “Eu nasci em 1920 e minha família já cultivava uva aqui em Lençóis Paulista. Naquele tempo, só tinha uva virgínia e nacional, não havia niagara branca nem rosada.”

Um gentleman para receber as pessoas, seu Anério gosta de falar e contar histórias sobre a confecção de vinhos e garante que não há segredos nessa arte. “Não existe segredo. Cada um faz do seu jeito. O meu vinho é bom e eu fiz de tal maneira. O outro faz igual e não fica bom, usando a mesma uva.”

O que ele não revela é que o seu vinho vem acompanhado de uma porção de carinho, maneira adotada por ele no relacionamento com seus semelhantes. “Eu gosto de receber as pessoas aqui e com elas tomar uma boa taça de vinho. Na semana passada, engarrafei 20 litros e já não tem mais. Presenteei alguns amigos e o resto tomamos aqui, entre amigos.”

Na opinião do primogênito da família Casagrande, o melhor é fazer a fermentação em vidro. “Eu faço a fermentação no vidro. Depois da fermentação, pode passar para a madeira, mas tem que ser carvalho”, avisa.

A verdadeira "cantina" italiana não leva cimento, reboco ou vedacit em sua estrutura. “Aqui não é uma cantina. É uma garagem. Para ter umidade, a cantina tem que estar totalmente enterrada e aqui metade das paredes não estão. A confecção certa leva barro de roça porque a terra é que tem influência no vinho. Quando faz frio lá fora, aqui está quente e vice-versa”, explica.

A cantina, segundo seu Anério, tem que ter 60% de umidade e de 15 a 20 graus de temperatura. “O vinho exige a temperatura e a umidade certas.”

Para se ter um vinho realmente bom, é preciso deixá-lo dormir, orienta o produtor. “O vinho dorme de 20 a 30 anos. O melhor jeito para armazená-lo é deixá-lo deitado, mas isso só pode ser feito após dois anos de vida. Caso contrário, ele joga a rolha fora porque ainda tem um pouco de fermento.”

Outra dica do especialista evita que o vinho azede. “Eu uso óleo mineral para vedar os tonéis de vidro porque não adianta tampar o vinho que o ar entra e azeda o vinho. O óleo veda e mesmo que o vinho borbulhe, o gás sai e o óleo fecha.”

Não planta mais

Com seus mais de 70 anos, seu Anério não planta mais uvas como antigamente. “Eu vendi minha propriedade para meu sobrinho. Hoje, eu compro uvas para não deixar de fazer vinhos. Tenho uma parreira em minha casa que tem 25 anos. No ano passado, ela deu 400 cachos de uva niagara rosada.”

Com a uva do tipo itália, o produtor faz vinho branco. “Cada uva dá vinho de uma coloração diferente. Eu faço rosê, tinto e branco.”