O costume dos brasileiros de deixar tudo para a última hora se confirmou ontem. Nos cartórios da 23.ª, 300.ª e 387.ª Zonas Eleitorais, que fizeram plantão para atender os interessados em tirar título de eleitor, transferir o local de votação e revisar os dados do documento, o movimento foi intenso durante todo o dia, aponta o chefe do 23.º Zona, José Carlos Colhado. Até as 13h de ontem, cerca de 300 dos 93 mil eleitores cadastrados no cartório (o maior deles) haviam passado pelo local.
Grande parte das pessoas corria contra o tempo para fazer o alistamento eleitoral (emissão do título pela primeira vez). É o caso do estudante Eric Dourado, 17 anos. “Vai ter um plebiscito relacionado ao desarmamento (leia mais abaixo) e preciso tirar o título logo para não complicar depois”, diz.
O metalúrgico Felipe Merola, 18 anos, também aproveitou o sábado para tirar o documento. Acompanhado de sua mãe, a vendedora Francine Persona, ele chegou à 23.ª Zona uma hora antes de sua abertura para evitar fila. “Quem não deixa para a última hora?”, brincou, próximo ao balcão de atendimento do cartório.
Embora tenha registrado fila, a espera era de 30 a 40 minutos, em média, na 23.ª Zona, explicou Colhado. “Iniciamos o atendimento às 9h e o sistema de emissão de títulos está redondo. Ontem (anteontem) estava travado devido, talvez, a algum congestionamento de consultas”, observou. Segundo ele, os três cartórios da cidade já se acostumaram com as filas nos plantões para transferência de títulos.
“Todo final de alistamento temos essa grande procura. Mesmo sendo divulgado em massa em todos os meios de comunicação, o pessoal não procura, eles deixam para a última hora mesmo”, acrescentou Colhado.
Os pedreiros Marcos Rogério Lopes Ferreira, 23 anos, Valdeci Alves, 31 anos, e seu filho Valdeci Alves Jr., 17 anos, tiraram a manhã de sábado para comparecer à 23.ª Zona Eleitoral. “Durante a semana fica meio puxado, a gente não tem como sair por causa do serviço e hoje, que é sábado, é melhor”, aponta Alves, orgulhoso por acompanhar seu filho no alistamento eleitoral. “Emitir o título é muito importante porque eleger alguém não depende só de políticas, mas da participação dos cidadãos”, analisou.
“Concordo com ele”, disse Ferreira, que procurou o cartório para transferir o local de votação. “Prefiro um bairro mais perto”, disse ele. Bauru possui três cartórios eleitorais e 60 locais de votação, seis deles criados neste ano.
Internet
Além do intenso movimento de pessoas interessadas em tirar ou transferir títulos eleitorais, os cartórios estão recebendo diversas ligações de pessoas reclamando de e-mails em nome do Tribunal Superior Eleitoral.
“Os eleitores estão recebendo e-mails do TSE pedindo para informar dados. A Justiça Eleitoral não enviou esses e-mails e está orientando as pessoas para que se deletá-los antes de abri-los porque eles podem conter vírus”, reforça.
De acordo com Colhado, a Justiça Eleitoral costuma publicar editais, enviar cartas ou notificações quando precisa se comunicar com os eleitores.
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Desarmamento
O voto no Referendo do Desarmamento é obrigatório para os maiores de 18 anos e facultativo entre os jovens de 16 e 18 anos e maiores de 70 anos. Marcado para o próximo dia 23 de outubro, o referendo vai decidir sobre a venda de arma de fogo e munição no Brasil.”
“Quando a Lei do Desarmamento e Comércio de Armas foi criada, estava prevista a apreciação da população. O referendo é para ratificar a lei, colocá-la em vigor. Caso o resultado da votação seja negativo, a lei perderá seu vigor”, comenta José Carlos Colhado, chefe da 23.ª Zona Eleitoral de Bauru.
Segundo ele, os eleitores que não votarem nem justificarem o voto terão que procurar o Cartório Eleitoral e fazer justificativa por meio do pagamento de multa, cujo valor varia de município para município. No caso de Bauru, a taxa é de R$ 3,51 por eleição, aponta Colhado.