Segundo balanço da própria Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), o núcleo habitacional Mary Dota, considerado o maior da América Latina, apresenta um índice de inadimplência que atinge 60% dos contratos - dos 3.260, só 1.302 estão em dia. Talvez por isso, casos como o da comerciária Elza Maria Lopes Garcia Costa, 39 anos, não possam ser considerados um “acidente percurso”.
Moradora há 13 anos no bairro, Costa diz que só conseguiu manter as prestações em dia nos dois primeiros anos de contrato. “Aí as parcelas começaram a subir e o salário do meu marido ficou parado. Depois, ele ainda perdeu o emprego, mas mesmo assim não consegui o recálculo ou um acordo para acertar a dívida”, diz.
A mutuária diz que em uma das tentativas de acordo, recebeu da empresa uma proposta que ela considerou “inviável”. Segundo Costa, a Cohab teria proposto um pagamento inicial de R$ 5.000,00 e o refinanciamento de um saldo devedor de R$ 19.000,00 em 240 parcelas de R$ 177,00. “Eles (Cohab) foram muito atenciosos, mas é como se eu tivesse que começar tudo de novo”, lamenta.
Costa acrescenta que acredita já ter pago “uns R$ 10.000,00” até hoje. “Somando tudo, dá um valor irreal, já que eu não ‘pego’ (numa venda) nem R$ 10.000,00 na casa. O vizinho da frente vendeu a dele recentemente por R$ 8.000,00”, conta.
Atualmente, a prestação está fixada em R$ 250,00, valor que chega a quase R$ 300,00 com os juros, segundo a mutuária, que calcula sua renda familiar em aproximadamente R$ 1.000,00. Agora, com 39 parcelas em atraso, já recebeu até o pedido de reintegração posse.
Só então, recorreu à ajuda da Associação dos Moradores e Mutuários de Bauru e Região (Ammbre), que já entrou com ação pedindo o recálculo da dívida por um perito. “Já me informaram que dá para reduzir uns 50% da dívida informada pela Cohab”, diz Costa. “Quero continuar na casa e pagar o que é certo. É nossa última esperança”, completa.