Estou com 70 anos e posso afirmar que assisti a toda colonização de nosso vizinho Norte do Paraná. Como homem público, participei de muitos movimentos para fixação do homem do campo.
Quem eram os lavradores que para lá se dirigiram nesta época? Eram lavradores paulistas ou seus filhos, oriundos de Bauru, Jaú, Bariri, Birigui e muitos outros lugares.
Levavam consigo parcas economias, porém muita capacidade de trabalho, coragem, dedicação, entusiasmo.
Alguns, mais favorecidos, adquiram seus lotes das companhias colonizadoras à prestação (Cia. Melhoramentos Norte do Paraná e muitas outras), e os que não tinham este poder, iam trabalhar para aqueles que tinham (formar café).
O contrato entre ambos para a formação do café tinha uma duração de 4 e 6 anos. Os frutos do 4.º, 5.º e 6.º ano eram divididos proporcionalmente entre o formador (empregado) e o dono do lote (proprietário).
Durante este tempo, eles viviam daquilo que plantavam nas entrelinhas do café (milho, feijão, abóbora etc.).
Muitas famílias, imagine o leitor, adquiriram terras posteriormente com o fruto do trabalho da formação de lavouras para outros. Qual o brasileiro não sente orgulho daquela região (Londrina, Maringá etc.)?
Aqui reside, caríssimo leitor, o exemplo para os sem-terra de hoje, vítimas de um paternalismo e uma demagogia e hipocrisia sem fim de governantes. Para sermos lavradores é preciso, como em qualquer profissão, de vocação agrícola, de dignidade para poder dizer aos governantes “eu produzo”, não preciso de esmolas para sobreviver.
Professora Maria Piulbelt - RG 1062253