09 de julho de 2026
Geral

Paciente espera 7 horas por atendimento de hemodiálise

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O setor de hemodiálise do Hospital de Base (HB) continua apresentando problemas de atendimento, apesar das promessas de adequação feitas pela presidência da Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Ontem, uma paciente ficou sete horas aguardando atendimento devido às máquinas quebradas.

A estudante Vanessa Rezende, 27 anos, conta que ficou das 9h às 16h esperando um equipamento para fazer a diálise. “Do pessoal que faz o tratamento no meu turno, eu e mais dois ficamos sem máquina e tivemos de esperar para ser atendidos”, conta.

De acordo com ela, uma paciente do primeiro turno chegou a desistir da espera e foi embora do hospital sem fazer a hemodiálise. “Ela era de outra cidade e acabou indo embora sem realizar o tratamento.”

A mãe de Vanessa, Graça Benedito Rezende, destaca que a filha só foi atendida porque ela ameaçou chamar a imprensa e a polícia. “Minha filha foi de manhã para realizar o tratamento e queriam dispensá-la depois de pesá-la, alegando que ela tinha engordado só um quilo. O problema não é o peso, são as toxinas que ficam no organismo e precisam ser eliminadas”, destaca.

A filha de um dos pacientes do setor de hemodiálise, que preferiu não se identificar, conta que ontem haviam sete máquinas paradas no setor e que, por conta disso, estavam ocorrendo atrasos. “Eles dizem que está tudo bem, que a situação foi resolvida, mas não é verdade. Os pacientes ainda estão muito temerosos com relação à falta de equipamentos e insumos”, diz.

Alcides Lopes de Camargo Neto, que também é paciente da unidade, reclama da falta de manutenção das máquinas. “Não é preciso comprar novos equipamentos, mas cuidar dos que estão lá. Tem que ter um técnico direto na unidade fazendo manutenção, pois as dialisadoras funcionam o dia todo”, frisa.

Ele conta que, da semana passada para cá, os atrasos no atendimento vêm se mantendo. “A gente fica cerca de uma hora esperando para conseguir uma máquina.”

Vanessa Rezende diz que duas das sete dialisadoras quebradas teriam sido consertadas ontem. “Quando eu saí de lá, tinham cinco máquinas paradas”, destaca.

Por causa do atraso para começar a sessão, ela fez apenas duas horas e meia de diálise, já que tinha compromisso na faculdade. “Pedi para sair antes”, ressalta.

A estudante deixa claro que a reclamação é com relação à estrutura da hemodiálise do HB, mas não contra médicas e enfermeiros que trabalham no setor. “Sempre tem médica acompanhando os pacientes e os funcionários são atenciosos”, elogia.

“Tudo em ordem”

O presidente da AHB, Joseph Saab, nega que esteja havendo problemas no atendimento da hemodiálise. “Já está tudo funcionando normalmente”, frisa,

De acordo com ele, apenas as duas máquinas que estavam quebradas na semana passada permanecem sem conserto. “Estamos aguardando a chegada de peças para fazer a regulagem do aparelho.”

Para Saab, o grande problema que afeta o setor é que os pacientes não querem esperar a sua vez de receber o atendimento. “Se você vai numa clínica particular ou convênio médico, tem fila de espera. Agora, quando o atendimento é do SUS (Sistema Único de Saúde), ninguém quer aguardar a sua vez”, destaca.

Ele salienta que o abastecimento de insumos também está normalizado e que os atrasos nas diálises não estão comprometendo o atendimento dos pacientes. “Não é interessante para nós dispensar pacientes, pois recebemos pelos serviços prestados”, frisa.

Com relação aos capilares (filtros para depurar o sangue), Saab afirma que eles são reutilizados dentro das normas do Ministério da Saúde (até 12 vezes). “Se as médicas usam mais do que isso, elas fazem porque querem, pois o material está sendo comprado normalmente”, destaca.

Outro problema denunciado na semana passada foi a falta de mamógrafo na Maternidade Santa Isabel. Depois da reportagem do Jornal da Cidade ter divulgado que os dois equipamentos estavam quebrados, um deles foi consertado. No entanto, o outro continua parado. “O técnico veio, verificou o equipamento e foi buscar as placas em São Paulo. Ele deve voltar hoje (ontem) ou amanhã”, salienta.