10 de julho de 2026
Geral

Vacina contra leishmaniose não é reconhecida por ministério

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 2 min

Há dois meses, panfletos distribuídos pela cidade alertam para a realização de uma campanha de vacinação contra a leishmaniose canina. Produzida há um ano pelo laboratório particular Fortdodge, o uso da vacina foi liberado pelo Ministério da Agricultura em fevereiro do ano passado. O Ministério da Saúde, porém, ainda não a reconhece como meio eficaz de combate e prevenção da doença na saúde pública.

“Não temos comprovação da eficácia da vacina na prevenção da doença. Faltam evidências (científicas) e nos propusemos a fazer pesquisas em conjunto com a empresa (para comprovar seus efeitos). Nossa recomendação é não vacinar”, afirma o superintendente de controle de endemias da Secretaria de Estado da Saúde, Carlos Magno.

A vacina foi desenvolvida por professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, de acordo com testes feitos pelo laboratório, sua proteção contra a doença seria de 94%. “É extremamente confiável e o dono é bem esclarecido (sobre o funcionamento da vacina)”, diz o veterinário Marcelo Sanches.

Segundo as orientações do laboratório, o cão só pode receber a vacina após a realização de exames que comprovem a ausência da leishmaniose no animal. Se for saudável, poderá receber as três doses necessárias para imunização. Segundo o laboratório, o efeito do medicamento não é garantido em quantidades inferiores. Atualmente, os valores médios da dose e dos exames são de R$ 55,00 e R$ 30,00, respectivamente, e apenas veterinários particulares oferecem o tratamento.

Elaborada a partir de fragmentos do protozoário causador da leishmaniose, a vacina estimula a produção de anticorpos pelo cachorro. Atualmente, a presença do anticorpo no organismo do animal é um dos critérios adotados pela Saúde para verificar se o cão é portador do vírus. Em casos positivos, o animal é sacrificado. Portanto, caso um animal considerado saudável tome a vacina e, sem seguida, seja submetido aos exames realizados pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC), o resultado será positivo para a doença.

“Ainda não tivemos este problema na cidade e o Estado não deu normas de como deveremos proceder nestes casos”, explica o diretor do DSC, Mário Ramos. Os veterinários ouvidos pela reportagem lembram a existência de exames diferentes dos realizados pela saúde pública para atestar a presença da doença.

O superintendente de controle de endemias, entretanto, afirma que a Secretaria de Estado da Saúde está desenvolvendo normas para diferenciar os cães doentes dos vacinados. “A vacina não provoca a doença, mas positiva o exame e dificulta a identificação do cão”, ressalta.

De acordo com o levantamento do DSC, 298 cachorros foram sacrificados na cidade até junho deste ano. Em 2004, foram realizadas 659 eutanásias.