08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Relaxo, relixo


| Tempo de leitura: 3 min

A Leishmaniose está aí, gente!

Talvez muitos ainda se achem imunes a ela ou longe do perigo de contraí-la.

Olhem à sua volta e facilmente verão o cachorro do vizinho doente, um conhecido contando sobre um parente doente também ou alguma notícia sobre o assunto.

É por que a coisa está fora de controle. Daqui a pouco - Deus nos livre - os hospitais terão que ter alas especiais para os casos da doença, de tanto que tem aparecido, sem falar num cemitério para centenas de animais sacrificados.

Tudo isso vem da falta de informação e cuidados de todos - população e poder público.

Desde os primeiros casos já deveriam ter sido tomadas providências necessárias para que não continuassem a surgir, visto que o foco estava restrito à região norte de Bauru - agora ampliado.

A questão da sujeira que impera por toda a cidade, os terrenos abandonados, os quintais cheios de lixo e tranqueiras, os riachos imundos, etc, também deveriam já ter sido motivo de um trabalho mais árduo para educar as pessoas inconscientes.

Muita gente não sabe nem metade dos perigos que correm estando próximas do lixo.

Da dengue, todos morrem de medo, mas não fazem muita coisa e é praticamente do que fiscalizam os agentes, que visitam as casas. Da leishmaniose, alguns falam qualquer coisa - agora um pouco mais.

E do resto? Não se tem noção.

Vivo dizendo à pessoas com quem converso, sobre os cuidados para evitar essa doença, ouço perguntas, respondo do que sei e vejo que outros que estão por perto prestam atenção. Espero com isso, informar - ao menos - um bom número de pessoas. Quantos fazem isso?

Quando falo sobre tudo o que aconteceu com meu filho Fernando, não estou apenas desabafando ou aterrorizando, mas tentando mostrar o risco terrível que estamos correndo. Nem queiram chegar perto disso, que a dor é tão grande, que não dá para comparar com nada.

Mesmo quem consegue se salvar, sofre muito com o tratamento.

Essa doença é conhecida há mais de um século, existem comentários em livros e antes era mais restrita a certas áreas, como onde não há saneamento básico, e há pessoas subnutridas.

Havia até certo controle antes da ditadura militar, suspenso até os anos 80 e a nossa herança tem sido conhecê-la da pior forma possível.

Segundo fui informada, à primeira morte em Bauru foi negada essa causa, assim como à última (a do meu filho).

Como essa doença e outras debilitam tanto a pessoa, que abrem espaço para outras, como e principalmente pneumonia, vá lá saber se outros casos assim o foram. Alguém me disse, brincando, que todo mundo morre de parada respiratória - obviamente - porque pára de respirar.

Bauru - limpeza, informação, exames, desinfecção de residências com casos, denúncias, multas, retirada de cães de rua, vacina nos de estimação, ler sobre doenças, quintais arrumados, terrenos capinados, educação de moradores, o que mais? Todo mundo sabe disso - acho que até os cidadãos mais humildes. Se não sabem, vamos dizer a eles. E o poder público? - Esse, tenho certeza que sabe tudo e mais um pouco. Faça-se a parte de cada um, não importa se o problema é novo ou velho. Saúde é o que interessa.

Tenho a convicção de que é possível deter essa praga. Que quem não estiver cumprindo sua parte, passe a fazê-lo. Fora o relaxo. Fora a Leishmaniose.

Ana Maria Lellis Krupelis - RG 5.706.855-0