08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Pescaria para todos os gostos

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

Quem nunca pescou tem o hábito de dizer que pescaria é atividade para quem tem paciência. “Eu não dou conta de ficar parado, em silêncio, esperando o peixe fisgar”, diz a maioria. Mas a história não é bem assim. A pescaria é uma atividade que pode ser praticada para todos os tipos de pessoa, das mais novas às mais experientes, das mais tranqüilas às mais agitadas.

Isso porque existem várias modalidades de pescaria, que agradam as mais diferentes personagens. Talvez, uma pessoa muito agitada imagine que uma pescaria em que o silêncio é fundamental, realmente não seja a sua praia. Mas é preciso escolher a modalidade que mais se identifica com sua personalidade e com seu estilo de vida.

A primeira imagem de pescador que se apresenta é a clássica cena de uma pessoa, na beira de um barranco, com a varinha na mão, em silêncio absoluto, esperando o peixe morder a isca. A pesca de barranco exige uma certa dose de paciência, mas é um bom momento para ficar a sós consigo mesmo e fazer um encontro íntimo com a natureza. É nessas horas que se percebe o canto dos pássaros, o movimento do rio, o sentido do vento, as árvores.

A pesca de barranco também agrada pescadores que fazem uma ceva no rio, onde os peixes se habituam a comer e tornam o local especial para a captura de vários exemplares.

Embarcada

A pesca embarcada pode ser tão parada quanto a pesca de barranco, se observada por apenas uma ótica. Você pode usar iscas naturais como lambari, tuvira, milho, soja, coração, mortadela, enfim, o que a sua criatividade permitir, desde que pegue peixe. Porém, é uma pescaria de espera, quando a vara está com a isca e o pescador fica, da mesma maneira que no barranco, aguardando a ação do peixe. Se ele estiver lá.

Há também a pesca de rodada, na qual o barco está à deriva, controlado por remo ou motor elétrico, e o pescador libera uma certa quantidade de linha para “vasculhar” determinada área e encontrar os peixes. Aparentemente mais dinâmica e mais comunicativa, pois o silêncio não é fundamental, é porém uma pescaria em que o pescador fica sentado – pode ser em pé também! – esperando um ataque.

Artificiais

Já com as iscas artificiais, a pescaria exige um pouco mais de empenho do pescador, pois além da necessidade de praticar inúmeros arremessos durante o dia, dizem que pode passar de um mil, é necessário enfrentar uma verdadeira caçada à procura dos peixes e das melhores iscas. Com o auxílio de remo ou motor elétrico, sempre há a necessidade de alguém para conduzir a embarcação, o pescador arremessa em busca do ataque.

Nesse momento, ele começa a avaliar as espécies do local, que iscas são as mais adequadas, pois uma mesma espécie pode estar atacando na superfície em um determinado dia, mas em outra ocasião agir na meia água. Outro detalhe também observado é a cor da isca, que depende também da cor que está o rio naquela data. Caso o local tenha sido bastante explorado, a caçada continua e o pescador busca novos pontos de pesca para outros arremessos.

A pesca com iscas artificiais tem atraído o público jovem, pois traz outros desafios, o que inclui tentar enganar o peixe com uma isca de plástico. Além de cor, textura e peso, a isca artificial tem movimento, o que depende também da ação do pescador.

Na pesca com iscas artificiais, a parte menos agradável é o popular “macaco”, ou como é “cientificamente” conhecido, o enrosco. Todo pescador, mesmo os mais experientes, pesca um “macaco” em seus arremessos de artificial. Aí é aquela batalha para recuperar a isca. Normalmente aquela “pegadora”.

A análise do ambiente também é fundamental para este tipo de pesca, pois é necessário arremessar aonde o peixe está ou dependendo da espécie, próximo a ele. Saber quais os alimentos preferidos da espécie e seus hábitos facilitam a pescaria, isso vale também para a pesca com iscas vivas.

A pesca pode ser de currico. A pesca de currico é bastante simples, mas tem seus detalhes. Com o barco em movimento e o motor em marcha lenta, a isca artificial é arrastada, fazendo com que ela ganhe profundidade e movimento. As iscas podem ser em formato de peixe, colheres ou spinners. Uma linha fina facilita a penetração da isca na água, que sempre deve ser trabalhada a favor da correnteza.

Moscas

A pesca com moscas ou fly, como também é bastante conhecida, traz outros desafios ao pescador. A pesca com mosca, que também é uma isca artificial, é baseada no arremesso da linha e não do peso da isca, como ocorre normalmente. É uma pescaria visual, em que o pescador visualiza aonde o peixe está e arremessa a mosca em sua direção.

Plasticamente muito bonita e suave, a pesca com mosca oferece excelentes resultados aos seus praticantes, só não é indicada para os peixes de fundo. O interessante da pesca com mosca é o desafio do arremesso da isca sem estardalhaços que possam assustar o peixe. O fly é muito usado na pesca de truta, um peixe extremamente sensível e ligeiro. Ao menor sinal de perigo, a truta desaparece, por isso, a sutileza da pesca com mosca traz muitos resultados positivos.

Outro fator que atrai novos pescadores para a pesca com mosca é a possibilidade de confeccionar suas próprias iscas. Os atadores, como são conhecidos, fazem suas iscas utilizando materiais diversos como pêlos, penas, brilhos, entre outros, buscando aproximar cada vez mais da fonte de alimentação de cada espécie. Nem todo pescador de mosca é atador, mas a grande maioria valoriza o prazer de pescar um peixe com uma isca “feita por mim”.

Atar as moscas antes da pescaria torna-se um ritual para o pescador de fly, que sempre pesquisa novos materiais, novos formatos de isca e alternativas para torná-las mais atraentes aos olhos do peixe. Uma pescaria dinâmica, que também exige muitos arremessos, mudanças de isca e de local de pesca. O fly pode ser praticado embarcado, desembarcado ou mesmo no rio, o que normalmente ocorre na pesca de trutas, quando o pescador segue à procura de suas presas.