09 de julho de 2026
Polícia

Acusação de agressão policial a rapaz de 19 anos é apurada em inquérito

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A acusação feita por Anderson Dias, 19 anos, de que foi agredido por quatro policiais militares no último dia 13 em uma sala de um supermercado do Jardim Redentor, em Bauru, está sendo apurada pela Polícia Civil e pela própria Polícia Militar (PM). O rapaz, que é negro, relatou que, na sala reservada, três policiais masculino e uma policial feminino o agrediram com chutes e socos.

No inquérito instaurado no 4.º Distrito Policial para apurar o caso, consta que funcionários do supermercado acionaram a PM porque Dias, que estava no local fazendo compras, parecia estar portando arma de fogo sob a camisa. Já ouvidos pelo delegado Dinair José da Silva, que conduz o inquérito, os funcionários disseram que os policiais revistaram Dias, nada encontraram e foram embora.

“No dia seguinte à ocorrência os policiais apresentaram um simulacro de revólver com um canivete na ponta que supostamente seria o que estaria com Dias. Ele teria passado a arma para outro garoto antes da chegada dos policiais. O garoto que estava com a arma disse que não falou nada no dia porque ficou com medo de sofrer represália do colega”, comenta Silva.

Mas a mãe de Dias, Margarete Cordeiro, afirma que os policiais levaram o rapaz para uma sala no piso superior do estabelecimento e que as agressões resultaram em fratura da tíbia, lesão no ligamento do joelho e fratura leve de duas costelas. “Meu filho ainda está com a perna engessada e não pode andar. Disseram que vai precisar ficar com o gesso até setembro”, afirma.

O laudo do exame de corpo delito pelo qual Dias passou no Instituto Médico Legal (IML) aponta entorce no joelho e lesões leves nas costas. Dias usa uma pequena sonda sob as roupas porque sofre de retenção urinária. “As agressões causaram a formação de coágulo de sangue”, diz Margarete, que acha que o filho foi confundido pelos policiais com outra pessoa.

Além do laudo do IML, o delegado solicitou ao hospital que atendeu Dias no dia da agressão que o garoto alega ser feita por policiais a ficha clínica do rapaz. Silva ressalta que o caso está sendo apurado, mas as pessoas ouvidas até ontem negaram a ocorrência da agressão e não há prova de que o fato tenha ocorrido da forma denunciada por Dias.

O Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru emitiu nota à imprensa ontem em repúdio à agressão sofrida por Dias. “O comando da Polícia Militar de Bauru deve uma satisfação à cidade, pois, atos desta natureza praticados contra pobres e negros, é que reforçam no senso comum a imagem negativa da instituição” diz a nota assinada por Roque Ferreira, presidente do conselho.

A entidade informa que está notificando o secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Hédio Silva Júnior, e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal sobre a agressão. No inquérito policial não há nada que relacione a agressão denunciada ao fato de Dias ser negro.

____________________

PM averigua

A denúncia de agressão policial contra Anderson Dias está sendo apurada pela Polícia Militar através de inquérito instaurado pela própria corporação. “Foi nomeado um oficial que está ouvindo as pessoas envolvidas na acusação. Se o inquérito concluir que os policiais agrediram o rapaz, eles serão responsabilizados na forma da lei porque isso é crime. Nós queremos apurar a verdade”, explica o major José Humberto Nardo, comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar (4.º BPMI).

Nardo ressalta que não há embasamento para alegar racismo por parte dos policiais. “Neste ano já fizemos 90 mil boletins de ocorrência e mais de 1.800 flagrantes e não se manifestou racismo”, frisa.