Patético, vergonhoso e triste o depoimento do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares de Castro à CPI Mista dos Correios, que ficou acuado nos questionamentos feitos pelos parlamentares, que queriam - como toda a população brasileira - saber sobre a megatrapalhada envolvendo a cúpula do PT e do Governo Federal, na movimentação de milhões de reais (cuja origem e destinação ainda é a grande incógnita do processo talvez mais escandaloso de malversação de recursos na história da República brasileira), em forma de mensalão para o governo conseguir base de sustentação política no Congresso nacional, conforme acusou o deputado federal Roberto Jefferson.
A trapalhada é tão grande, que beira a tragédia shakespeareana, no estilo Macbeth - um erro puxa outro erro. O fato é que Delúbio foi obrigado, por diversas vezes, a recorrer a frases-chavões do tipo: “Esta pergunta já foi respondida ao relator”. E forçado, a esclarecê-la, teve de repetir: "Mantenho o que disse anteriormente". Em suma, não tinha o que dizer diante das acusações e da tibieza com que apresentou sua versão dos fatos. Ao ser questionado pela senadora Heloísa Helena, a ex-petista conclamou para que o ex-tesoureiro não assumisse sozinho tão grande imoralidade, porque não havia como sustentar a tese de que ninguém, além dele e do publicitário Marcos Valério sabiam da origem e destinação da dinheirama toda. E, sobre as dívidas contraídas pelo PT, Delúbio não soube responder quem irá pagá-las, e com que aval foi possível os credores fazerem empréstimos tão volumosos ao partido de Lula? Delúbio Soares não soube o que dizer, contradizendo o que havia declarado à revista Época, um ano atrás quando indagado sobre as suas relações com o então ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, ao que respondera Delúbio: “Falam que eu converso muito com ele (José Dirceu). Claro que converso. Eu e o Zé Dirceu assinávamos juntos cheques de campanha, cheques do partido, durante anos e anos. A responsabilidade minha era do tamanho da dele nas finanças do partido”. E mesmo assim, com uma declaração feita à Época tão explícita, Delúbio preferiu silenciar e ignorar o que a senadora Heloísa Helena lhe havia pedido: não assuma sozinho tudo isso.
Os depoimentos de Silvio Pereira e Delúbio Soares dão evidências claras de tráfico de influência e outros abusos de poder tão antigos em nossa história, que chegamos à conclusão de que o PT não conseguiu passar o Brasil a limpo. O que temos visto no governo é o deslumbramento pelo poder, como nunca outro grupo governante havia manifestado, e uma volúpia insaciável por usufruir tudo o que se tem direito, daqueles que nunca sonharam chegar tão alto na pirâmide social, na pior lógica do carpe diem e do vale tudo. A pergunta que se faz agora é: conseguirá Lula sobreviver ao dilúvio delubiano?
O autor, Valmor Bolan, é doutor em sociologia, reitor da Universidade Guarulhos, vice-presaidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e diretor geral da Faculdade Editora Nacional - Faenac