08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Gato atropelado


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Sábado, 30 de julho de 2005, 19h30. Um gato atravessa a rua Altino Arantes, na quadra 5. Pessoas e crianças estão na rua, nas calçadas. Apesar do inverno, está um começo de noite com temperatura agradável. Eis que surge um camburão da Polícia Militar. Sem sirenes ligadas, sem luzes, simplesmente um camburão, cruzando a rua Altino Arantes, na Vila Falcão, às 19h30. Em alta velocidade. E pessoas na calçada... ou atravessando a rua... E o gato...

E o gato... morto, esmagado... na rua Altino Arantes, na quadra 5, em frente a um bar. A rua está cheia de pessoas que falam: “O camburão pegou o gato”. Mas o gato tinha dono. E o dono não se calou. Acionou a base Comunitária Oeste, três quadras de distância do corpo do gato. Reclamou, mas ninguém se manifestou. Mas é só um gato? Sim, só. Só mais uma vida. Uma vida de gato. Que o ser humano, que se julga dono da balança de Deus, achou cômodo pesar como uma vida inferior ao valor da vida humana. Mas maltrato a animais não é crime? Uma viatura em alta velocidade, sem sirenes nem luzes de alerta, na rua Altino Arantes, quadra 5, na Vila Falcão, que atropela uma gato, o que é? É crime?

Susan Renata Lopes - RG 30.954.412-9