08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Lei do circo


| Tempo de leitura: 3 min

Estamos observando uma situação tendenciosa por parte de alguns órgãos de comunicação querendo polemizar o decreto que regulamentou a lei que permite presença de empresas circenses com animais. É preciso esclarecer a população que a lei em questão não tinha possibilidade de aplicabilidade pelos órgãos de competência para a emissão de alvarás.

Há quem questione: “Mas no governo passado houve emissão de alvarás e a dita regulamentação não existia!” E nós respondemos: “Mas, no governo passado, a Uipa e demais ONGs de Bauru entraram com pedido de liminar porque havia uma certa empresa circense funcionando sem alvará!” O referido decreto já foi discutido em várias audiências públicas, com a presença de vários vereadores, noticiadas por este jornal, passou pelas comissões e foi aprovada. Foi revogada em favor da lei que proibia animais com circo.

Embora sejamos totalmente contra animais encarcerados em circos, reconhecemos que a decisão tomada pelo senhor prefeito José G. M. Angerami, foi salomônica, ou seja, regulamente-se a presença dos animais em circos, mas que respeite-se a integridade física dos mesmos. É preciso dizer à população que um felino selvagem apavora-se ao simples estralar do chicote na mão do adestrador.Teria este animal apanhado tanto para o condicionamento que o chicote na mão do adestrador evidencia a soberania e o domínio dele sob o animal pelo medo?

O elefante, que ao simples olhar para o instrumento de tortura (ferro com ponta arqueada) na mão do adestrador grita, mas obedece. Seus ouvidos já foram feridos muitas vezes durante o condicionamento.O elefante também dança. Que lindo!

Como aprendeu? As ONGs possuem fitas de vídeos que foram gravadas à distância onde aparecem sessões de tortura com chapas quentes que são colocadas nos pés do elefante alternadamente com movimentos contínuos e som ambiente para condicioná-lo.

E por aí vai a maldade humana. Inexistem circos com animais que ainda não foram processados por maus-tratos. Alguns já tiveram busca e apreensão da Polícia Federal por maus-tratos. O simples fato dos animais terem as suas vidas privadas do bem maior, que é a liberdade, já constitui maus-tratos. O único “crime” que cometeram foi nascerem belos, imponentes e majestosos. É a cobiça daqueles que os aprisionam para o deleite da platéia que nem sempre conhecem o que aqui relatamos. Temos notícia que os artistas circenses estão aderindo ao movimento pelos circos sem animais, pois estes “tiram” involuntariamente o mercado de trabalho deles. Os animais são ótimos empregados: passam fome, morrem de frio, apanham, não exigem direitos trabalhistas... Nada podem reclamar, pois a eles foi negada a fala.

A Uipa sempre foi taxada de radical por defender princípios éticos contidos na proteção aos animais. Aqueles que não entendem bem esta posição, nós respeitamos, mas reflitam: “A natureza, os animais, as terras, as plantas e as águas precisam do nosso cuidado, pois tudo isto está sendo destruído a passos largos. Então, quem será o próximo a ser extinto se não o homem?" (reflexões do major Daniel Cinto da Polícia Ambiental do Estado de São Paulo).

Ângela Maria Heiffig da Silva - presidente da Uipa-Bauru - RG 7.413.512