09 de julho de 2026
Bauru 109 anos

Ensino: Educação integrada

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

A partir deste segundo semestre, a Prefeitura de Bauru começa a colocar em prática um projeto arrojado, o Centro de Educação Municipal Integrado (Cemi). Nele estarão incluídas escolas municipais de educação infantil integrada (Emei), para crianças de zero a 3 anos; infantil (Emei), voltada a alunos de 4 a 6 anos; e ensino fundamental (Emef), para a faixa de 7 a 10 anos.

A localização dessas unidades escolares será a mesma, mas em espaços físicos diferentes, adequados aos projetos pedagógicos e às faixas etárias. A idéia é facilitar a vida da família, integrando-a à escola, já que num único lugar os pais poderão contar com ensino para faixas etárias distintas.

“Entendemos que o Cemi incentiva a participação da família na unidade escolar, além de promover a melhor interação entre a escola e a comunidade”, afirma Ana Maria Lombardi Daibem, secretária municipal da Educação. “Além disso, o ensino integrado é uma tendência. Muitos pais, por trabalharem, precisam que a escola atenda seus filhos durante todo o dia. Se for num mesmo local, melhor ainda”, completa Rosângela Redondo Ribeiro, diretora da Divisão de Educação Fundamental da secretaria.

Os processos de licitação já estão em andamento e a previsão é que as obras comecem ainda neste semestre, para que em 2006 o Cemi receba os primeiros alunos.

Inicialmente, o município contará com três Cemis, localizados no Núcleo Isaura Pita Garmes (Bauru 1), Parque Viaduto e Jardim Progresso. Em cada um desses bairros já existe uma célula de ensino municipal, seja uma Emei ou uma unidade escolar em construção.

Além disso, fundamentou a escolha dos locais a demanda estudantil, levantada por meio de visitas aos bairros e pesquisas com lideranças comunitárias.

Com o Cemi, a Secretaria Municipal de Educação dá continuidade ao projeto de investir na educação infantil, favorecendo a continuidade dos estudos. “Estamos redimensionando a natureza assistencial das antigas creches e o Cemi se insere nessa nova dinâmica, que enxerga a escola não como um depósito de crianças, mas como um instrumento de libertação, de igualdade”, afirma Daibem.

A rede municipal de ensino conta hoje com 74 unidades, entre Emeiis, Emeis e Emefs, além de manter o Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja), atendendo cerca de 21 mil alunos.

Do total de unidades, 60 são voltadas ao ensino infantil. Esse é, na avaliação dos técnicos da secretaria, o principal diferencial de Bauru na educação em relação a outros municípios brasileiros.

A característica também pode render dividendos extras à cidade caso o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) seja aprovado por meio de proposta de emenda constitucional (PEC), em processo de avaliação, substituindo o atual Fundo Nacional de Manutenção e de Valorização do Magistério (Fundef).

A diferença entre os dois fundos é que enquanto o segundo destina recursos apenas ao ensino fundamental, o primeiro investe nos ensinos infantil e fundamental. O incremento seria de 45% nas verbas, de acordo com reportagem veiculada pelo Jornal da Cidade no mês de julho.

“Temos esperanças na aprovação do Fundeb, que ampliaria nossa capacidade de investimento, permitindo ampliar a atual demanda reprimida pelo ensino infantil de forma gradativa e com qualidade”, analisa Jair Sanches Vieira, diretor de unidades escolares da secretaria.

Por conta dos investimentos em educação infantil, Bauru é considerado um município pioneiro. “Esse é o nosso grande diferencial e a comunidade reconhece esse trabalho de qualidade”, assegura Rosângela Redondo Ribeiro.

Assim como a comunidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) também enxerga a educação pré-escolar como fundamental para incrementar o acesso ao ensino fundamental.

De acordo com o organismo, as crianças que freqüentaram a educação infantil conseguem melhores resultados escolares posteriormente e apresentam menores índices de repetência e evasão nos primeiros anos do ensino fundamental.

Em razão disso, na avaliação da ONU, a ampliação dos serviços educativos para crianças de zero a 6 anos é imprescindível para melhorar os níveis educacionais e, conseqüentemente, atingir a universalização do ensino fundamental, segunda das Oito Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Objetivo

Universalizar o ensino fundamental

Meta

• Garantir, para o ano 2015, que os meninos e meninas de todo o mundo possam concluir um ciclo completo do ensino fundamental

Estratégias

• Procurar a efetiva universalização do ensino fundamental

• Ampliar a cobertura da educação pré-escolar e de nível médio

• Melhorar a eqüidade e a qualidade dos sistemas educacionais

• Reduzir índices de evasão e repetência

• Ampliar a destinação de recursos à educação

Fonte: ONU