09 de julho de 2026
Bauru 109 anos

Combate a Aids: Pacto social

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Orientação e participação social caminham juntas quando o objetivo é combater a aids, sexto dos Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Em Bauru, agentes públicos e voluntários trabalham de maneira incansável para ampliar a rede de informações sobre o vírus HIV e suas conseqüências para a saúde bem como garantir a prevenção, tratamento e defesa dos direitos humanos das pessoas infectadas.

Em Bauru, 1.593 casos de aids foram notificados no período de 1982 a 2004, mas calcula-se que o número de infectados com o vírus HIV (causador da doença) seja cinco vezes maior. “Muitos não sabem que têm o vírus, daí a importância do diagnóstico precoce para tratamento e monitoramento dessa pessoa”, alerta Eliane Monteiro, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids.

Para que o diagnóstico precoce seja uma realidade, garantindo a manutenção do mecanismo de defesa do organismo alto, é imprescindível a participação da sociedade na questão do HIV/aids.

“Uma rede articulada de prevenção, com envolvimento de todos os segmentos sociais, é fundamental para a estabilização do número de infectados com o vírus e conseqüente reversão da propagação da epidemia, que não mais envolve grupos de risco, mas situações de risco”, afirma a psicóloga Ana Paula Balderrama Carvalho.

Carvalho, que é chefe do Centro de Testagem e Aconselhamento/Centro de Orientação e Apoio Sorológico (CTA/Coas), uma das unidades municipais do Programa Municipal DST/Aids, avalia que é dever de todas as pessoas se envolverem com a causa, comprometendo-se com ela.

Compartilha da opinião a assistente social Mafalda Sparapan, coordenadora social da Sociedade de Apoio a Pessoas com Aids de Bauru (Sapab) – única ONG da região que trabalha com portadores de HIV e familiares. “Sem participação social vamos continuar chovendo no molhado. Com a sociedade unida, coesa e num pensamento único, o efeito é maior e o prognóstico para combater o HIV/aids se torna mais positivo”, avalia.

A meta da Organização das Nações Unidas é de até 2015 ter detido e começado a reduzir a propagação do HIV/Aids. Para tanto, orienta o organismo, os países, Estados e, conseqüentemente, os municípios devem lançar mão de estratégias que envolvam prevenção, tratamento e defesa dos direitos humanos dos infectados.

Em Bauru, o trabalho é centralizado no Programa Municipal de DST/aids, que segue diretrizes do Ministério da Saúde e conta com recursos das três esferas de governo, além de parcerias com terceiro setor e sociedade.

Na área de tratamento, o município conta com o Serviço de Assistência Especializada (SAE), a Assistência Domiciliar Terapêutica (ADT) e o Hospital-Dia (HD). Nas demais áreas, o trabalho cabe ao CTA/Coas. Além deles, todas as unidades de saúde do município estão capacitadas para oferecer a testagem com aconselhamento, ou seja, explicando o que é o vírus e a doença e dando garantias de que o resultado do exame é pessoal – não será entregue a ninguém além da própria pessoa que realizou o teste.

Todo o serviço é gratuito, o que inclui o fornecimento de medicamentos retrovirais e preservativos e a realização de exames, muitos deles de alta tecnologia, que no setor privado atingiria o custo unitário médio de R$ 400,00.

“A manutenção dessa política é fundamental para se ampliar a rede de atendimento e focar a meta da ONU, mas o trabalho não é fácil. Temos como desafios capacitar os professores para que abordem as questões da aids e da sexualidade com seus alunos e atuar mais de perto às populações mais vulneráveis à epidemia. Daí a necessidade de buscar e manter parcerias constantes com a sociedade”, frisa Eliane Monteiro.