Há 50 anos, o então ferroviário Cesário Carlos Oliveira começou a cuidar de um terreno em frente à sua casa. Aos poucos, foi construindo a calçada, montando bancos de madeira e plantando árvores e canteiros de flores. Hoje, aos 81 anos, aposentado, ele conta com a ajuda de vizinhos para dar continuidade ao trabalho, que virou exemplo de zelo ao meio ambiente na Vila Monlevade.
Agora, além da faixa ao lado da rua Ivo Marcelino, moradores estão estendendo seus cuidados aos arredores do terreno, que integra o patrimônio da antiga empresa Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa). Lá, querem manter o campinho de futebol que há décadas serve de lazer para a comunidade, criar uma pista para caminhada e um pomar e um bosque com as mudas ali plantadas, além de montar um playground.
“O Jardim Botânico nos forneceu as mudas e nós, moradores, temos feito o controle de pragas, da erosão e alertamos aqueles que insistem em jogar entulho e lixo que aqui é uma área de lazer da comunidade”, explica o cabeleireiro Reinaldo José Reche, um dos moradores que cuidam do terreno.
Assim como ele, o bancário aposentado Darcy da Costa Carreiro e o filho, o policial militar Luís Gustavo dos Santos Carreiro, também ajudam na manutenção do local, além de carpir e muitas vezes pagar do próprio bolso um trator para fazer a limpeza.
“Cuidamos porque gostamos de ver a área preservada. É um prazer ver tatu e lebres por aqui, além de assistir ao renascimento de uma pequena mancha de cerrado”, diz Carreiro. “Se todo mundo copiasse o exemplo, a cidade seria melhor conservada e mais bonita de se ver”, opina Oliveira.
Iniciativas como a dos moradores da Vila Monlevade têm sido incentivadas pela Prefeitura de Bauru, que recentemente convidou a população a ajudar na revitalização do Bosque da Comunidade no Núcleo Geisel, por meio de trabalho conjunto com as secretarias do Meio Ambiente (Semma), Administrações Regionais (Sear) e Esporte e Lazer (Semel) para limpar, poder árvores e fazer pequenos reparos nas instalações e nas quadras.
“O meio ambiente é um bem de todos e a população pode e deve se envolver com a causa através da parceria com o poder público ou com pequenas, mas necessárias, iniciativas, como conservar a rua em que vive e a praça que freqüenta. Se todos ajudassem a conservar, a prefeitura poderia investir em projetos novos ao invés de gastar com a limpeza dos espaços”, diz Carlos Barbieri, titular da Semma.
A organização não-governamental Instituto Ambiental Vidágua, também considera válidas atitudes que envolvam e sensibilizam a comunidade para a proteção e recuperação do meio ambiente. “Ações como a correta deposição do lixo, separação dos materiais recicláveis, redução do consumo e uso racional da água ainda são pouco efetivas, por isso é que valorizamos as iniciativas locais. Não podemos esquecer, no entanto, das responsabilidades do poder público e da necessidade de uma correta consciência da população sobre seus impactos no meio ambiente”, alerta Ivy Wiens, coordenadora de apoio institucional do Vidágua.
Barbieri afirma que a prefeitura tem consciência do seu papel para reverter a deterioração ambiental do município. Para tanto, avalia ser necessário levantar informações confiáveis sobre o meio ambiente e firmar parcerias com a comunidade e outras esferas de poder.
“Estamos com vários estudos em andamento, entre eles o Diagnóstico Ambiental, que vai nos permitir elaborar um plano de gestão ambiental da cidade, dar condições de municiarmos os moradores com informações técnicas, atacar a questão dos resíduos sólidos e erosões e fiscalizar novos empreendimentos imobiliários para que não venham a prejudicar o meio ambiente, que está interligado a tudo: saúde, educação...”, sustenta o secretário.
Outra iniciativa da Semma envolve o contato contínuo com o Ministério Público, para que os processos sejam encaminhados de acordo com a legislação. “Estamos atacando em várias frentes. Nosso esforço é para que todo mundo pense o meio ambiente”, frisa Barbieri.