11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em 16 anos, consumo de arroz cai 16%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

A vida cada vez mais acelerada leva à busca pela praticidade dos pratos prontos e restaurantes. A busca pelo “corpo perfeito” leva a constantes dietas e ao consumo de produtos naturais. Por fim, a mudança de hábitos dos brasileiros tem levado à redução do consumo doméstico de arroz no Brasil nos últimos anos. Resumidamente, esta é a conclusão do estudo feito pelo pesquisador gaúcho Tiago Sarmento Barata, que aponta uma queda de 16,6% no consumo do grão no período de 1987 a 2003.

Baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítisca (IBGE), o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) diz que, em 1987, o consumo doméstico de arroz era de 30 quilos por habitante ao ano no País. Em 2003, o índice caiu para 25 quilos por pessoa ao ano. Segundo Barata, as Capitais em que a queda foi mais acentuada foram São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Para ele, a mudança no estilo de vida da maioria da população é a principal causa da redução do consumo de arroz, principalmente por parte das classes A e B.

“O estilo de vida das pessoas mudou muito nos últimos anos. Há muitas famílias em que o homem e a mulher trabalham fora, ou são separados e a mulher sustenta a casa. Ou seja, a necessidade do consumo rápido e prático é cada vez maior. Há também os que dão preferência à alimentação natural e um grande número de pessoas que estão sempre em dieta”, observa Barata.

A pesquisa também analisou o comportamento de 400 consumidores entrevistados na região metropolitana de Porto Alegre. Os dados levantados dão conta de que, em 1996, o consumo de arroz em famílias com renda entre cinco e seis salários mínimos era de aproximadamente 37 quilos por pessoa ao ano. Em 2003, caiu para 29 quilos per capita ao ano.

Segundo o pesquisador, a queda também foi verificada nas classes mais altas da região metropolitana de Porto Alegre. Em 1996, famílias com renda superior a 30 salários mínimos consumiam cerca de 24 quilos do grão por pessoa ao ano. Já em 2003, passou para 18 quilos por habitante ao ano.

“De maneira geral, as classes mais altas são as que têm consumido menos (arroz). Nas famílias cuja renda mensal é de até R$ 1.200,00, o consumo é maior. Acima dessa faixa, o consumo cai muito. Para as pessoas com maior poder aquisitivo, a quantidade de opções disponíveis no mercado é muito grande, principalmente de pratos prontos e congelados”, observa.

No supermercado

O subgerente de uma rede de supermercados com três unidades em Bauru, Valdecir Alves da Silva, observa que na loja localizada na zona sul da cidade a queda no consumo de arroz vem sendo observada há dez anos. Nos últimos três anos, a redução foi ainda maior.

“A partir de 1996, os fabricantes passaram a despejar no mercado uma quantidade muito grande de opções em alimentos prontos. Como a vida das pessoas está cada vez mais corrida e elas têm cada vez menos tempo para ficar cozinhando, tem aumentado muito a preferência pelos pratos prontos”, afirma o subgerente.

De acordo com ele, nos últimos cinco anos a venda de alimentos prontos cresceu 10% neste supermercado. Já o consumo de pizza subiu cerca de 30% no mesmo período, o que ilustra a busca pela praticidade.

“As pesquisas da Apas (Associação Paulista de Supermercados) mostram que estudantes universitários, pessoas que moram sozinhas e mulheres que têm filhos e trabalham fora têm dado preferência aos alimentos prontos. A área destinada a este setor no supermercado cresceu muito nos últimos anos.”

Em outra grande rede que atua na cidade, a assessoria de imprensa também informa que está havendo uma migração do consumo de arroz e feijão para os alimentos prontos, massas e produtos naturais.

Já em um supermercado local que possui lojas nos bairros Redentor, Nova Esperança e Alto da Bela Vista, o gerente de compras Marcos Renato Lourenção diz que houve aumento do consumo de arroz nos últimos meses.

“Há cerca de um ano, quando os preços subiram, a venda caiu. Mas nos últimos meses os preços têm caído, o que voltou a estimular o consumo do arroz. O que tem acontecido é que os produtores decidiram reduzir o preço do produto para poder ganhar no volume comercializado.”

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Duas realidades

Na média nacional, os dados da pesquisa e do IBGE mostram a redução do consumo de arroz no País nos últimos anos. Por outro lado, existem famílias que não abrem mão de ter sempre à mesa a típica combinação brasileira de arroz e feijão. É o que acontece na casa de Dirce Fernandes de Castro.

“Aqui em casa não pode faltar arroz e feijão, no almoço e na janta. Meu marido faz questão. Para mim, na janta às vezes eu faço uma comida mais leve, como sopa ou macarrão com legumes. Mas o meu marido gosta mesmo é de arroz e feijão. Tem gente (da família) que vem aqui em casa só para comer o meu arroz”, conta a simpática Dirce.

Já na casa de Maria Aparecida Ferreira, a realidade da vida corrida levou a família a preferir pratos mais leves e lanches na hora do jantar. “Por mim e pelo meu marido, eu faria almoço e janta todos os dias. Mas tenho uma filha e um neto que moram com a gente, e o ritmo de vida deles acaba influenciando. Então, o consumo de arroz foi diminuindo com o tempo. Mas isso não é um bom exemplo”, alerta a aposentada.