08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reforma do Estado


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Malas e mulas voam pelo céu do Brasil carregadas de dinheiro. Até uma cueca recheada com milhares de dólares é encontrada e não bem explicada por seu acompanhante. A polícia desconfia que a dinheirama não servia apenas para irrigar os bolsos de políticos e suas campanhas eleitorais, mas para causas inconfessáveis em qualquer CPI.

A reforma política em tramitação no Congresso estabelece o financiamento público das campanhas. Segundo os legisladores, isso amenizaria a movimentação dos caixas dois que fluem e influem nas eleições. Hoje, as prestações de contas são analisadas detidamente por profissionais que colaboram com a Justiça Eleitoral, mas existem brechas na legislação que precisam ser corrigidas, senão os caixas dois nunca vão ter fim. Por isso, a necessidade urgente da reforma política e a aprovação do financiamento público das campanhas com proibição dos partidos receberem recursos extras.

Atualmente, grandes empresas doam recursos para os candidatos de sua preferência e estamos vendo que muitos desses recursos não são declarados à Justiça Eleitoral. Em muitos casos, o eleito fica de rabo preso com os doadores, encabulado em algumas de suas ações, em detrimento do interesse público.

Mas, pelo que estamos vendo no cenário nacional, somente uma reforma política não basta: é mais do que necessário que o Estado seja reformado. Em vários aspectos, toda essa crise tem elos que se prendem: o desvio de recursos públicos representa, no mínimo, a falta de verbas para investimentos em saúde, educação, alimentação e segurança. Estamos vendo que no Brasil sobra dinheiro, e muito dinheiro, grana que amenizaria o sofrimento dos pobres do País.

E, pasmem: alguns corruptos de ontem estão investigando os corrputos de hoje! No Estado brasileiro de hoje, continua valendo a máxima atribuída a Pinheiro Machado: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, nada; para os indiferentes, a lei”. O neoliberalismo, ora aceito por quase todos, fatura alto nesse País, envolvendo a classe dirigente em torno do bem comum só delas, claro! O lúmpem, que se dane! Vão morar em casinhas de cachorros ao lado dos shoppings! Miseráveis, fiquem nos seus cantos; nenhuma quirera para saciar a fome! O Estado-empresário, capitalista, dá seus botes mortíferos, mostra do seu caráter devorador dos sem-terra, sem-teto, dos sem-nada. As classes dominantes deitam e rolam com a ordem vigente, e somente têm medo e ficam inseguras com a constante onda de violência em vários níveis da sociedade. Antes, os donos da bolada viajavam para o Exterior, EUA de preferência; com o 11 de setembro e os atentados na Europa, colocaram as barbas de molho.

Com grande parte da classe dirigente enfiada na lama da corrupção desenfreada, o povo, cordial, não esperneia; só observa o rito parlamentar investigando o desfilar de milhões de reais que voavam de banco a banco e recheavam bolsos e cuecas. O povo só cobrará, se sobrar memória, nas próximas eleições, mas o Estado continuará mantendo seu “status quo“.

Pedro Romualdo