A proposta dos artistas plásticos Paulo Barreto, Ronaldo Gifalli e Vander Vicentin é provocar o público a pensar e refletir sobre suas obras, todas sem título. Esta é a idéia da exposição “Decodificações”, que integra a programação do Festival de Inverno de Bauru e que permanece aberta à visitação até a próxima segunda-feira no Automóvel Club, sempre nos horários dos eventos.
De acordo com Barreto, a exposição reuniu três artistas que trabalham com uma linguagem próxima e utilizam códigos em suas obras, em sintonia com a produção contemporânea e direcionando suas próprias linguagens ao mesmo foco, o homem. “É justamente por isso que as obras não têm nome. É uma provocação ao público, para que ele decodifique e decifre as mensagens”, aponta. Cada um dos artistas ganhou uma sala para sua produção.
Para Barreto, suas obras na exposição propõe uma figura humana descarnada, com cortes e amputações, em um processo místico e até ritualístico. “As imagens produzem uma sensação anestesiada, de se estar em uma sala onde quem corta é o mesmo que é cortado”, analisa. Assim como em seus outros trabalhos, ele ressalta a presença dos conflitos reais, do sofrimento e da violência urbana como suas principais influências.
Já Vicentin faz, com as cinco telas na exposição, uma releitura da obra do artista Antoni Tápies, que possui uma ação intensa na materialidade. Assim, o artista contrapõe sua produção e resgata o simbólico e o imaterial. “As telas são produzidas muito rapidamente, é a questão da materialização daquele momento, pois depois não é mais possível trabalhar, por conta dos materiais”, explica.
Em outro aspecto do tema, Gifalli realiza sua obra por meio de linhas densas e sufocantes que revelam cores e formas, numa provável tentativa de libertação por trás das grades. Além disso, ele assina com Barreto uma instalação presente na exposição. “A construção tem estrutura linear, como pautas para colocar o texto, com tijolos de alumínio. A instalação se une a um vitral do prédio e faz uma leitura dele. Dois terços da obra é dos tijolos e um terço é uma releitura do vitral”, indica Gifalli.
Barreto destaca que os tijolos de alumínio, na verdade, contrastam seu visual e sua leveza, na contradição do que é sólido e perene e do que é frágil e passageiro. A exposição tem trilha sonora de Marisa Basso.