08 de julho de 2026
JC Criança

Acrobacias no céu

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

No dia 1 de agosto, a cidade de Bauru completou 109 anos com muita festa. Um dos momentos mais emocionantes, iniciado com o show de pára-quedismo da Skydive Radical, foi a apresentação do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) da Força Aérea Brasileira (FAB), mais conhecida como Esquadrilha da Fumaça. Os sete aviões de fabricação nacional, pois o T-27 Tucano é projetado e construído pela Embraer, pintados com as cores da Bandeira Nacional, coloriram o céu de Bauru.

Durante a apresentação, milhares de pessoas de todas as idades prenderam a respiração conferindo as manobras radicais da avenida Getúlio Vargas e do Aeroporto de Bauru. Por pelo menos 40 minutos, as pessoas ficaram com os olhares voltados para o céu. Quem mais se divertiu foi o público infantil, que pela primeira vez assistia ao show aéreo, pois há quase 10 anos a Esquadrilha da Fumaça não se apresentava em Bauru.

Matheus Fernando Zagatto, 9 anos, esteve no aeroporto para conferir a apresentação e ficou encantado. “Eu gosto muito de avião, tenho até vontade de ser piloto e achei o show muito divertido. Só levei alguns sustos, porque as manobras eram tão pertinho que pareciam que os aviões iriam bater”, conta, emocionado.

Como ele, Paulo Belone, 9 anos, também nunca tinha visto nada parecido e ficou surpreso. “Foram vários sustos, mas valeu a pena!”

Já a Gabrielle Belone, 12 anos, ficou com vontade de ser pára-quedista ao ver os saltos radicais. “Mas também estava curiosa para ver a esquadrilha, minha mãe assistiu quando era criança e gostou muito. Eu adorei, foi uma apresentação linda! Sabe o que eu acho legal? O fato de serem pilotos e aviões brasileiros, é um orgulho para o nosso país!” Como a Gabrielle, a Ana Beatriz Aguiar Bonfim Fávero, 7 anos, foi acompanhada do pai, que assistiu as manobras da Fumaça na infância. “Eu gostei muito e às vezes achava que o avião iria cair em cima de mim!” A Ana levou também seu primo Matheus Lavison Bigheti, 8 anos. “Eu teria coragem de ser piloto, viu! Gostei muito.”

O Felipe Renan Rodrigues, 7 anos, tinha visto a Esquadrilha da Fumaça na televisão e fez questão de ver pessoalmente. “É muito mais legal, eu quero ser piloto também!” O Victor Zagatto Belone, 8 anos, achou “da hora!”.

Agora, uma das manobras mais elogiadas por gente grande e pequena foi o coração. Na despedida, três aviões chegaram pela esquerda e outros três pela direita e fizeram um grande coração de fumaça, que o tenente-coronel-aviador Ricardo Reis Tavares dedicou, pelo rádio, ao público de Bauru. “Eu gostei de tudo, mas o que achei superlegal foi o coração”, comentou Leonardo Felipe Ramos Pereira Donato, 8 anos, opinião compartilhada pelo Leandro Ramos Pereira de Oliveira, 6 anos. Outra criança que curtiu a manobra foi a Kyara Zagatto, 8 anos. “Achei lindo.”

No total, a Esquadrilha da Fumaça possui com 12 aeronaves e 11 pilotos, dos quais oito participaram da apresentação em Bauru. Durante os vôos, seis aviões fizeram apresentações sincronizadas, e o Fumaça 7, pilotado por um dos mais experientes pilotos da Esquadrilha, o capitão-aviador Ronaldo Venâncio, realizou as exibições solo. Todos são orientados pelo comandante Reis.

Manobras arriscadas

Mas para realizar manobras tão específicas como a da Esquadrilha da Fumaça é necessário muita experiência, treinamento, preparo físico e mental. O capitão-aviador Emerson Mariani Braga, responsável pela área de comunicação social da Esquadrilha da Fumaça, é um dos sete aviadores que estiveram na cidade. Os pilotos orgulham-se de conduzir uma aeronave nacional e despertam o imaginário de crianças, jovens e adultos por onde se apresentam.

Além disso, as aeronaves precisam estar perfeitas, com tudo em ordem. Para isso, os pilotos da Esquadrilha da Fumaça contam com um apoio muito importante, os mecânicos. “Nossos mecânicos, que chamamos de Anjos da Guarda, ficam trabalhando nos aviões e a gente não se preocupa com isso. Momentos antes do vôo a gente chega e vai estar tudo preparado, direitinho. Por isso a gente os chama de Anjos da Guarda, porque temos confiança plena no trabalho deles.”

Sonho de criança

O capitão Braga conta que quando era criança sonhava em ser astronauta ou piloto. “É uma satisfação muito grande participar da Força Aérea Brasileira, pois nós trabalhamos em grupo, é vibrante e nós confiamos nas pessoas. Participar da Esquadrilha é realmente um sonho, que exige bastante trabalho”, comenta. Ele salienta também que as pessoas devem buscar seus sonhos, pois mesmo com concorrido, é possível entrar. “A concorrência é grande, mas isso não deve tirar a motivação, pois não importa quantas vagas existem, se tiver uma só, essa pode ser sua.”

Braga explica que para ser piloto da Esquadrilha da Fumaça é necessário passar por um processo seletivo, mas é necessário fazer parte da Força Aérea Brasileira. “Além disso, é necessário ter pelo menos 1500 horas de vôo, das quais 800 como instrutor.” Todos os anos, há entre 20 a 30 candidatos para preencher uma ou duas vagas. “A concorrência é grande.” Braga explica que o piloto permanece na Esquadrilha por quatro anos, quando sai para dar a oportunidade a outros oficiais. “Costumamos dizer que qualquer piloto da FAB poderia estar dentro da Esquadrilha, só precisa receber o treinamento adequado.”

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Curiosidade

A Esquadrilha da Fumaça realizou sua primeira exibição oficial em 14 de maio de 1952. A Fumaça, como é até hoje conhecida do público, utilizou, até serem desativados, em 1977, os aviões norte-americanos NA T-6 Texan, construídos sob licença no Brasil durante a 2.ª Guerra Mundial. No final dos anos 60, por um breve período, operou os jatos de fabricação francesa Super Fouga Magister, denominados T-24 na FAB.

Reativada em 1982, com a denominação oficial de Esquadrão de Demonstração Aérea, a Esquadrilha da Fumaça utiliza, desde então, os turboélices de treinamento T-27 Tucano, fabricados no Brasil pela Embraer.

Em Bauru, foram realizadas algumas manobras exclusivas. Uma delas está no Guiness Book of Records. A Esquadrilha da Fumaça é a única equipe do mundo em acrobacia aérea a superar o próprio recorde: voar em formação, de cabeça para baixo: O 1o. prêmio conquistado em 1986, se deu com o vôo de dez aeronaves e, em 2002, ano do seu cinqüentenário, voando com 11 aeronaves.