08 de julho de 2026
Geral

Motorista dribla armadilhas nas ruas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Uma bifurcação não sinalizada, um estreitamento de pista sem aviso prévio, um semáforo no meio da rua e casas com numeração confusa podem funcionar como verdadeiras armadilhas para um motorista recém-chegado. Na maioria das vezes, a confusão é fruto das inevitáveis adaptações decorrentes do crescimento urbano, o que ocorre em inúmeras cidades. A reportagem selecionou algumas dessas “pegadinhas” nas ruas de Bauru.

A avenida Cruzeiro do Sul, por exemplo, é cortada pela rodovia Marechal Rondon. Mas como não há passagem entre uma extremidade e outra da via, o motorista que precisa chegar ao outro lado tem que dar a volta pelos viadutos das avenidas Duque de Caxias ou Rodrigues Alves - um desvio com mais de um quilômetro de extensão.

A solução seria a construção de um viaduto ou um trevo no cruzamento das vias, mas de acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), não existe nenhum projeto nesse sentido.

Outra interrupção de via que causa certo transtorno ocorre na rua Doutor José Ranieri. No cruzamento com a avenida Rodrigues Alves, próximo ao Horto Florestal, as duas extremidades da via estão desalinhadas. Com um aumento do fluxo no local e a necessidade de um semáforo, foi preciso fazer um prolongamento do canteiro central da avenida para minimizar o desalinhamento.

Só que o semáforo parece estar no meio da rua para quem trafega pela Doutor José Ranieri. Num trecho de mão-única, até quem vai fazer a conversão à esquerda precisa apoiar o veículo na faixa da direita e contornar o semáforo.

De acordo com representantes da Emdurb, esta foi a melhor solução encontrada para o trânsito no local. “Por causa do desalinhamento, tivemos que prolongar o canteiro central para garantir que o semáforo ficasse visível para ambas as extremidades da rua Doutor José Ranieri”, explica a encarregada do Setor de Planejamento Viário, Mariana Segamarchi.

A conversão à esquerda também é um problema em cruzamentos de grandes vias, como ocorre entre a avenida Nuno de Assis e as ruas Boa Esperança e Araújo Leite. Quem vem por uma dessas ruas e pretende fazer a conversão para acessar a avenida tem que aguardar o momento mais apropriado sobre o viaduto.

Para tentar sanar conflitos, os semáforos do cruzamento foram programados para fechar para todos os lados, de modo que os motoristas que aguardam sobre o viaduto tenham dez segundos para fazer a conversão à esquerda. Mas o desrespeito ao sinal vermelho complica o tráfego em muitos momentos.

O gerente de Planejamento e Operações Viárias da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, destaca que a solução ideal para esse e vários outros trechos conflituosos seria a realização de grandes reformas viárias, com a abertura de ruas, construção de viadutos e alças.

“Mas a Emdurb não tem autonomia para esse tipo de obra e os processos são demorados. Então, em pontos onde as condições geométricas são desfavoráveis, temos que fazer o melhor com a estrutura já existente no local”, pondera.

“Temos consciência de que algumas situações não são as mais adequadas, mas algumas vezes, a única coisa que podemos fazer é propor soluções para minimizar o risco e, nesse sentido, fazemos o possível”, acrescenta.