08 de julho de 2026
Geral

Rádio bauruense perde Walter Netto

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

A “dona Maria” provavelmente vai acordar mais tarde a partir de hoje. O rádio bauruense perdeu ontem uma de suas vozes mais famosas e que dominou as madrugadas desde o início da década de 60 com um animado programa sertanejo, que insistentemente avisava as “donas Marias” que já era hora de acordar.

Walter Piglialarme, o Walter Netto, morreu na manhã de ontem, aos 70 anos, após lutar por mais de dois meses contra complicações surgidas depois da retirada de uma úlcera. O radialista está sendo velado no velório municipal “Liberato Tayano”, ao lado de Cemitério da Saudade, e seu enterro será às 11h30 de hoje, no cemitério do Jardim do Ypê.

Segundo Walter Piglialarme Júnior, 33 anos, único filho de Walter Netto, o pai era um obcecado pelo trabalho. “Seu maior desespero, após a operação para retirada da úlcera, era não poder ser liberado pelos médicos para subir as escadarias da rádio devido à cicatriz”, conta.

Segundo ele, o pai não resistiu às complicações do pós-operatório devido a uma anemia que o atormentava desde a infância. Para piorar, Walter Netto também foi acometido por uma pneumonia que o levou de volta ao hospital no último dia 1 de agosto, de onde não mais saiu. “Era o melhor pai do mundo”, disse.

O gerente-geral da Rádio Áuri-Verde, Luiz Carlos Silvestre, confirma a paixão de Walter Netto por seu trabalho. “Ele era superdedicado e não topava sair de férias para não abandonar seu programa. Era um ícone do rádio”, diz.

Segundo Silvestre, as pesquisas mais recentes sobre audiência radiofônica, realizadas há três anos, indicavam a liderança absoluta do programa “Lá no Meu Sertão”, comandado diariamente por Netto das 2h às 7h. “Ele tinha 30 mil ouvintes só em Bauru”, afirma o diretor da emissora, que classificava seu estilo como “sertanejo autêntico”. “Ele tossia na locução e depois pedia desculpas. É uma grande perda”, completa.

Colegas de profissão também lamentaram sua morte. “Ele era uma pessoa boa, mas era exigente com quem trabalhava com ele”, diz José Ferreira Barbosa Jr., 70 anos, 40 deles dedicados ao rádio. Para Barbosa Jr., além da qualidade como locutor de programa sertanejo, Walter Netto também foi “o maior repórter policial” que já passou pela cidade.

O radialista Tadeu Araújo, 42 anos, que substituiu Walter Netto durante sua enfermidade, admite que será “uma grande responsabilidade” assumir a cadeira daquele que é considerado por ele um “professor”. “Vou tentar manter a linha do programa, que era divertido e sempre passava otimismo. O Walter parecia conversar direto com o ouvinte”, conta Araújo.

“Será uma lacuna difícil de preencher. O Walter vai fazer falta”, diz o radialista João Costa, 66 anos, que nos últimos anos assumia o microfone da emissora logo após Walter Netto encerrar seu programa. “Ele era um apaixonado pela música sertaneja, principalmente a ‘de raiz’. Era um expert”, completa o radialista.