Deste inacreditável maná de absurdos argumentos que o PT tenta enfiar goela abaixo dos incrédulos espectadores da cena política nacional, brota agora a cândida declaração do presidente do PT, José Genoino Neto, de que assinou o contrato para o empréstimo ao seu partido, de R$ 2,4 milhões com o BMG - Banco de Minas Gerais, que tem como avalistas as figuras dele, Genoino – ironicamente grafado “Genuíno” no documento - , Marcos Valério Fernandes de Souza e Delúbio Soares, sem lê-lo, em confiança.
Talvez seja esta a linha de ação e pensamento comum aos integrantes do partido, já que o presidente Lula também é dado a oferecer cheques em branco a uns e outros. Perfeitamente coerente, pois, que os ingênuos integrantes da alta cúpula do PT assinem documentos em branco ou em confiança. É deveras alvissareiro saber que ainda há pessoas como mestre Genoino que acreditam nos outros neste mundo tão emporcalhado de más intenções, vendilhões de consciências e votos com preço tabelado.
Certamente, as demais pessoas, “os outros”, aqueles que acreditaram nas palavras do Lulinha paz e amor embalado para presente eleitoral pelo sempre convincente mago da propaganda, Duda Mendonça, pecam agora por se arrependerem do voto, literalmente de confiança, que deram ao presidente eleito. Ninguém tem o direito de duvidar de gente tão boa, que faz as coisas assim, na informalidade, no fio do bigode, como nos velhos tempos, de quem passa cheques em branco, mesmo a gente cuja folha corrida é de fazer corar o pior dos facínoras.
As elites - que não são assim tão afáveis e não têm por hábito assinar contratos sem previamente os ler - estão conspirando contra Luiz Inácio, querem seu impedimento, diz, às lágrimas, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, injusta e sordidamente apelidado de PT Farias. Que ninguém ouse duvidar de Lula da Silva, o homem que diz ser o mais honesto de todos, puro e benevolente como um Gandhi, um predestinado. Lula não enganou seus eleitores, ele é quem está sendo enganado por aqueles outrora três centenas de picaretas, hoje exatos 513 deputados federais, noves fora as exceções de praxe.
Quem votou no ex-metalúrgico não pode se dizer vítima de estelionato eleitoral - expressão cunhada à época de José Sarney, seu hoje solícito aliado e defensor, que em artigo intitulado “O A-319” desdobrou-se em mil argumentos para justificar a aquisição do Aerolula, desmistificar aquela coisa de tapete voador das mil e uma noites - simplesmente porque as pessoas não mudam da água para o vinho assim, da noite para o dia, e Lula transfigurou-se muito rapidamente em uma figura afável, em ternos bem cortados, muito diferente daquele que em outras campanhas eleitorais ostentava bonés e camisetas com frases como “Hoje eu não tô bom”. Aquele que aceitou o apoio de gente como Orestes Quércia, chegando a elogiá-lo. Nas entrelinhas, estava o verdadeiro Lula.
Votaram em confiança, que seja, como Genoino diz ter assinado, mas que ninguém se diga enganado por Lula, moço honesto, tão bom e correto que, ao chegar ao poder, viu que aquela não era a sua praia, comprou um avião de sonho, delegou a nobre tarefa de governar àqueles escorreitos homens e foi correr o mundo a visitar reis e ser aclamado por gente famosa que se deixou levar pelas aparências ou pelas conveniências.
O autor, Luiz Leitão, é administrador e articulista - E-mail: luizleitao@ebb.com.br; blog: http://blog.comunidades.net/painel/index.php