Tentando negociar cláusulas econômicas com a direção da ferrovia Novoeste desde o início do ano, sem sucesso, ontem os ferroviários da região de Bauru começaram uma greve por tempo indeterminado. A data-base da categoria é 1 de janeiro, e desde então as negociações em torno da pauta de reivindicações dos trabalhadores vêm se estendendo.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, na região de Bauru existem 320 ferroviários. Em todo o trecho compreendido de Bauru a Corumbá são 915 trabalhadores. No total, cerca de 75% dos ferroviários teriam aderido à greve, segundo ele.
“A paralisação é pela negociação de quatro cláusulas que, desde o início do ano, não foram avaliadas pela Novoeste. Nós estamos reivindicando a aplicação do índice de 6,13% de reposição salarial (referente à inflação de 2004), os (pagamentos) atrasados retroativos a janeiro de 2005, que a empresa assuma integralmente o plano de saúde dos funcionários e R$ 1.500,00 para todos os empregados referente ao aumento de produtividade”, relata Ferreira.
Segundo ele, o objetivo é manter a greve até que a Novoeste abra negociação sobre essas quatro cláusulas. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da holding Brasil Ferrovias (controladora da Novoeste, Ferroban e Ferronorte), mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
“Hoje (ontem), a Novoeste pediu que os ferroviários voltassem ao trabalho e que fosse formada uma comissão para avaliar e discutir as reivindicações. Mas não adianta fazer isso agora, pois estamos tentando negociar há oito meses. É preciso dar uma solução”, aponta Ferreira.
De acordo com o diretor do sindicato, desde as 7h da manhã de ontem nenhum trem circulou, em função da greve. “Os únicos trens que estão circulando hoje (ontem) são os que já estavam no trecho. Então, a orientação é para que todos parem na base da cidade mais próxima”, acrescenta.