11 de julho de 2026
Geral

Secretaria da Agricultura propõe reformulação das feiras livres

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 4 min

O feirante Marcos Tokuhara reclama da falta de limpeza e de policiamento durante a realização de feiras livres em Bauru. A Associação dos Feirantes de Bauru (AFB) acrescenta pelo menos mais 20 problemas aos apontados por Tokuhara. A administração municipal finaliza a lista com o item ausência de regulamentação para a realização e a má distribuição das feiras. Ontem, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) ouviu as queixas e apresentou um projeto para resolvê-las. Com o nome de “requalificaçao”, a Sagra pretende valorizar e melhorar as feiras livres na cidade.

Ainda em fase de elaboração, as propostas caminham em três frentes: conhecer os principais problemas e necessidades das feiras, a partir de entrevistas com feirantes, freqüentadores e pessoas que moram próximo ao comércio; elaboração de normas para regulamentar a atividade e remodelação do aspecto visual das barracas e das feiras. Segundo a secretária de Agricultura, Maria Eugênia Gracia, a idéia é rediscutir “desde a setorização (distribuição) ao tamanho da feira”.

A base da mudança viria com a regulamentação. Atualmente, as feiras são ligadas à Sagra, mas não existem leis próprias para a atividade. “É difícil trabalhar se as normas não forem claras. Queremos, por exemplo, estabelecer critérios, horários de funcionamento e as obrigações do feirantes”, explica.

Ao mesmo tempo, a secretaria, em conjunto com os feirantes e a comunidade, quer sanar outras falhas e “tonar as feiras mais racionais”. “Sabemos da necessidade de um local mais limpo e da adaptação do trânsito. Vemos também algumas barracas em situação precária e temos uma concentração das feiras no Centro da cidade. Temos bairros da periferia sem feira. Queremos melhorar o gerenciamento”, ressalta Gracia.

Para buscar as soluções, foi formada uma comissão composta por cerca de 20 membros. Feirantes, Sagra, secretarias da Cultura, Saúde e de Planejamento, Polícia Militar e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ficam responsáveis pela elaboração do projeto de lei com a regulamentação e sugestão de melhorias.

Após a reunião de hoje, Maria Eugênia Gracia afirma que será proposto um cronograma de trabalho. “Grande parte dos problemas que eles (feirantes) levantaram será previsto na regulamentação. Esperamos fazer o projeto (de lei) até este ano”, diz.

A intenção alegrou Marcos Tokuhara, proprietário de uma barraca de pastel. Feirante há 25 anos, ele acredita que a regulamentação irá melhorar o funcionamento da feira. “É importante, porque, se não, cada um faz o que quer”, ressalta.

Com estas propostas e a participação dos feirantes, o presidente de AFB, Moisés Bastos, acredita que o setor irá se desenvolver mais. “Queremos fazer de cada barraca uma pequena empresa, que trabalhe com qualidade e bom atendimento”, ressalta.

Remodelação

“A feira não é apenas um local para se comprar alface, é mais do que isso. Há uma questão histórica e cultural da feira”, lembra a secretária da Sagra, Maria Eugência Gracia. Neste ponto entram as outras duas frentes do projeto. Com o apoio de professores dos cursos de psicologia e arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a Sagra pretende sugerir mudanças na forma de organização das feiras e dos profissionais. Também integrantes da comissão, os professores irão trabalhar com a parte “humana” da feira.

A partir das pesquisas, querem saber também como a população vê a feira para, assim, melhorá-la. “Vamos ver o que pode melhorar: qualidade, apresentação do produto (entre outros). Iremos ouvir as queixas e as sugestões”, explica o professor de psicologia Celso Zonta, que coordenará as pesquisas.

A terceira parte fica por conta dos professores de arquitetura. Uma das propostas do projeto é padronizar as barracas e oferecer uniformes para os feirantes. “Não é só estética. É um novo projeto visual. É para tornar o local agradável para as pessoas freqüentarem e para chamar as pessoas que deixaram de freqüentar”, acredita a professora Priscilla Ananian. Ela acrescenta ainda que as barracas seriam projetadas de forma a facilitar a higiene do local e o trabalho de montagem das estruturas.

Para Moisés Bastos estas novidades serão bem-vindas desde que não mudem demais, para não descaracterizar a feira livre. “Iremos preservar a cultura e o histórico das feiras. Não queremos que ela perca suas características”, garante Maria Eugênia Gracia.

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Saiba mais

Número de feiras na cidade: 26

Freqüentadores: 25 mil pessoas por semana

População beneficiada (raio de 500 m): 100 mil

Feirantes cadastrados (Sagra): 280

Problemas

• Falta de regulamentação para a realização das feiras

• Má distribuição das feiras na cidade

• Falta de locais para armazenamento do lixo

• Falta de sanitários no local onde são realizadas

• Falta de policiamento

• Falta de padronização visual das barracas e de uniformes para feirantes

Propostas

• Estabelecer normas para realização das feiras, como: distribuição na cidade, horário de funcionamento, número de barracas, taxas e obrigações dos feirantes

• Melhorar e padronizar o aspecto visual da barracas e a distribuição nas ruas

• Conhecer problemas e necessidades das feiras a partir de entrevistas com feirantes, moradores e usuários

Fonte: Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento – Sagra