As tradicionais meias e cuecas deixaram de ser as principais opções de presentes para o Dia dos Pais. Há pelo menos 20 anos, o relacionamento mais aberto entre pais e filhos aproximou os lados e ajudou a diversificar a lista. Por dentro dos gostos dos pais, até mesmo os filhos mais jovens vão às compras sem medo de errar. A iniciativa agrada tanto quem recebe quanto quem vende o presente. Em muitos casos, a palavra final deixou de ser a da mãe.
“Minha mãe diz que somos mais amigos do que pai e filha. Meu pai é muito brincalhão e a gente se conhece muito”, conta a recepcionista Débora Siqueira Maia. A amizade com o pai facilita sua vida nesta época. Aos 17 anos, ela e a sua irmã Samara, 13 anos, não precisaram pensar muito para escolher o presente. Depois de algumas pesquisas, no próximo sábado elas já sabem onde ir para encontrar a lembrança para o pai. “Sei de tudo o que ele gosta. Nunca errei (o presente), e ele acerta comigo também. Às vezes erro com minha mãe”, confessa a recepcionista.
Assim como nos últimos anos, as lojas de telefones celulares prometem ser o destino certo de muitos dos filhos neste ano. Com expectativa de vender 30% a mais em relação ao mês anterior, o supervisor de uma loja do ramo, Adriano dos Santos Caldas, conta com os mais jovens para aumentar as vendas. “São eles que trazem o pais para comprar. Na realidade, eles escolhem o aparelho, mesmo porque muitos pais não entendem de tecnologia”, observa.
Apesar de vedete, o celular não é a única opção. Segundo o presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado, roupas, calçados e eletroeletrônicos também estão no páreo (veja abaixo). Mesmo sem renda própria, apenas a idéia é o suficiente para influenciar a compra. “A participação deles é fundamental. Eles estão antenados e a última palavra é deles”, lembra Machado.
A participação ativa dos filhos nesta hora agrada o autônomo Osmar Lahoz Maia, pai de Débora e Samara. Ao contrário do que acontecia quando era jovem, as filhas não precisam mais dos olhos da mãe para ajudar na escolha. “Têm mais surpresas. E elas não deixam passar em branco”, comemora.
A facilidade no momento de comprar a lembrança para o Dia dos Pais é conseqüência do relacionamento mais aberto entre pais e filhos dos dias atuais. Com diálogos freqüentes e menos sisudos, eles se conhecem mais e promovem uma convivência melhor dentro de casa. “Antes a criança conhecia o poder do pai, o seu trabalho e pouco como pessoa. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, os pais participam mais das obrigações domésticas. Além da escolha do presente, isso facilita o desenvolvimento deles como ser humano”, explica a psicoterapeuta Marly Godoy.
Segundo ela, os meios de comunicação contribuíram para chamar a atenção dos pais para a importância do diálogo. “Só não sabe que tem que ter um relacionamento mais próximo quem não quer”, ressalta. Atento às necessidades dos novos tempos, o engenheiro Luiz Bombonato procura estar sempre perto das filhas. Seja pelo celular ou na hora do almoço, conversar é essencial. “Conversamos muito, sobre os gostos de cada um e aprendo com elas também”, diz.
As conversas já deram resultado. Suas filhas Aline e Camila Bombonato se anteciparam ao domingo e deram o presente ontem mesmo. “Somos bem unidos e conversamos pra caramba. Acho que, se não fosse assim, seria mais difícil (comprar um presente) por não ter liberdade e convivência”, explica Aline.
Modestos, os pais Luiz e Osmar não se esquecem de dizer que a convivência alegre e descontraída são mais importantes do que os presentes do Dia dos Pais. Para o comércio, porém, a mudança dos hábitos requer sensibilidade para saber oferecer o que o público jovem precisa. “O comerciante tem que estar ligado a tudo o que acontece na sociedade. Não dá para ficar só no tradicional pijaminha”, lembra o presidente da AEC.
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