As quase 5.500 pessoas que estão na lista de espera de uma casa da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) têm como alternativa apenas imóveis usados, que foram retomados judicialmente de mutuários inadimplentes. Desde março, a companhia retomou 33 residências e a maioria já foi vendida novamente.
O presidente da Cohab, Edison Gasparini Jr., ressalta que, por enquanto, a empresa trabalha apenas com casas reintegradas. “A gente está indo atrás daqueles contratos antigos que têm muitas prestações em atraso e chamando para negociar. E, se não der, retomamos o imóvel. A pessoa não pode ficar na casa sem pagar, como tem várias casos de mutuários que estão há cinco, seis, sete anos sem pagar nenhuma parcela. Na outra ponta há fila à espera de uma casa”, explica.
Sem casas em construção, os imóveis usados são a única alternativa da Cohab para quem está na lista de espera. A empresa possui cerca de 1.300 ações judiciais de rescisão de contrato e reintegração do imóvel em Bauru.
Segundo Gasparini Jr., existe perspectiva de novos empreendimentos em parceria com a Caixa Econômica Federal, porém dependem de negociações de pendências da companhia com o banco. Há cerca de dez anos a Cohab não constrói núcleo habitacional em Bauru, revela Gasparini Jr. Neste período, a companhia tem atuado como agente promotora de conjuntos viabilizados pela Caixa com construturas.
Ele explica que os imóveis retomados estão avaliados entre R$ 20 e R$ 25 mil, valor definido por engenheiros da empresa. Ele comenta que há moradias com benfeitorias, como piscinas e edículas, e que são muito bem aceitas pelos novos compradores.
Segundo o presidente da Cohab, o custo-benefício na aquisição de um imóvel usado é vantajoso para quem quer comprar a casa própria. “Muitas vezes a pessoa preferiria outro local, mas acaba pegando a casa usada disponível. Segundo consta, o estado (dos imóveis retomados) é relativamente bom”, conta.
A prioridade para a ocupação dos imóveis é a ordem de inscrição na lista de espera da Cohab. O processo segue todos os critérios de financiamento da Caixa. A partir de três parcelas atrasadas, a companhia já pode entrar com ação judicial para retomada do imóvel, mas antes convoca o mutuário para negociação.
O presidente da Cohab faz um apelo para que os mutuários que têm débitos procurem a empresa para negociação. Ele adianta que nos próximos meses a empresa fará novo cadastramento para atualizar a lista de espera por um imóvel.
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Ações judiciais
Imóveis retomados (desde março): 33
Notificações extra-judiciais (março a julho): 310
Inadimplência: 47%
Fonte: Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab)