“Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo.” O poeta Alberto Caieiro leva-nos ao âmago do movimento cultural: a criação como atividade pertinente a todo homem que anseia se libertar de suas amarras cotidianas. Casos típicos de oposição a este “anseio poético” estão nas salas de aulas (estejam elas em qualquer grau de formação). Parece que o sentido poético, que faz emergir a inspiração para o novo, para algo criado e, seqüencialmente, para um novo homem, reluta a se desenvolver nos dias atuais nas instituições de ensino. Não me refiro (diretamente) às estruturas governamentais, nem às propostas pedagógicas, muito menos aos desolados professores, mas sim aos alunos e seus responsáveis diretos.
Os pais são aqueles que dão a vida biológica, criam ou recriam os filhos. Se sentem nascidos e abertos para a “eterna novidade do mundo”. Mas... e suas criaturas? Como se sentem neste emaranhado contexto de criação, ao qual todos pensamos estar inseridos? As criaturas, os filhos, os alunos, estão aí. Simplesmente estão. Em sua maioria, não pensa, não cria, não vive, enfim, não é! Ser ou não ser? Pergunta-se por aí, até mesmo na TV.
É de indignar que, em pleno século 21, tempo em que imaginamos o ser humano mais desejoso em conhecer algo que ainda não sabe, percebamos jovens (e adultos) em salas de aulas felizes por estampar a morte em seus rostos. Luta-se para resgatar a auto-estima, para mudar as estratégias de atuação, para tornar lúdico e atrativo o ambiente escolar.
Quem dera existirem técnicas para ressuscitar pessoas, que não seja a medicina. Os alunos estão mortos. Se não o estão biologicamente, estão filosoficamente mortos, no pleno sentido da palavra. Lamento transcrever o cotidiano de cemitérios que são as instituições de ensino. Fica, pois, o sonho de resgatarmos da poesia o encanto e a intenção da “eterna criação” e, enquanto sonhamos, tentamos fazer emergir, ao menos, uma criação que seja eterna.
Sérgio da Costa Bortolim - professor - RG 30.967.255-7