09 de julho de 2026
Cultura

Sesc apresenta a peça ‘Equívocos’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de “Auto dos Bons Tratos”, apresentada ontem no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc), a Mostra Teatral Companhia do Latão prossegue hoje com o espetáculo “Equívocos Colecionados”, no mesmo local, às 21h. O evento, uma realização da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) e do Sesc, é uma ótima oportunidade de conferir uma série de trabalhos de uma companhia teatral consagrada em todo o País.

Para Sérgio de Carvalho, diretor e dramaturgo da Companhia do Latão, a possibilidade de apresentar quatro peças na cidade oferece ao público a oportunidade de vislumbrar com maior profundidade o trabalho do grupo. “Normalmente, fazemos isso apenas nas capitais e em grandes festivais. Viemos com estrutura e equipe grande, com nosso repertório mais atual de peças. É um retrato do que o grupo vem fazendo nos últimos anos”, comenta.

De acordo com a assessoria de comunicação do Sesc, “Equívocos Colecionados” é uma leitura cênica inspirada no livro homônimo do dramaturgo alemão Heiner Müller, que reúne suas entrevistas e escritos teóricos. A peça, com direção e dramaturgia de Márcio Marciano e Sérgio de Carvalho, estabelece um atrito entre idéias de Müller e fragmentos “espectrais” do projeto nacional brasileiro, tal como formulado nos anos 60.

O experimento cênico foi realizado a convite do Instituto Goethe São Paulo e dá continuidade a um estudo iniciado em 2003, com o pesquisador alemão Hans-Thies Lehmann, da Universidade de Frankfurt, a respeito do sentido crítico e poético da obra de Müller.

A companhia informa que as principais fontes literárias do espetáculo são as entrevistas “Necrofilia é amor ao futuro” e “Para sempre em Hollywood”, de Müller, com tradução de Christine Röhrig, publicadas na revista “Vintém”, além de trechos do filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha. Acompanhados pelo músico Martin Eikmeier, os atores do grupo estabelecem um comentário teatral a partir do tema “a cultura como diálogo com os mortos”.

A companhia é um dos grupos consagrados entre os expoentes dos palcos paulistanos, e sua origem está ligada à ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet da Funarte em São Paulo, entre 1997 e 1998, quando se consolida seu estudo sobre a obra de Bertolt Brecht, como um modelo para o teatro épico-dialético no Brasil.

Desde então, o grupo produz dramaturgia própria, interessada na realidade histórica do país bem como na crítica política das formas estéticas de representação. Suas montagens são “peças-processo”, onde os textos autorais e as adaptações feitas pelo grupo são escritos durante os processo de ensaios, a partir das improvisações e colaboração de toda a equipe.

Amanhã, a mostra apresenta a peça “Visões Siamesas”, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, às 21h. No domingo, o público pode conferir “Mercado do Gozo”, também no teatro e no mesmo horário. No elenco das peças estão Alessandra Fernandez, Heitor Goldflus, Emerson Rossini, Izabel Lima, Helena Albergaria, Ney Piacentini, Fernando Paz, Victoria Camargo e Martin Eikmer. Os quatro espetáculos contam com a coordenação de produção de Ney Piacentini.

• Serviço

Peça “Equívocos Colecionados” hoje, às 21h no Sesc. Ingressos a R$10,00 e R$5,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações: (14) 3235-1750.