08 de julho de 2026
Articulistas

Leitura: uma problemática?


| Tempo de leitura: 2 min

O prazer da leitura é um caminho barato e ajuda as pessoas a melhorar suas capacidades cognitivas em todos os sentidos. Desenvolve o conhecimento em geral, dá subsídios para refletir sobre o mundo e condição humana, em um mergulho profundo na problemática existencial do homem.

Uma pesquisa divulgada pelo National Endowment for Arts, fundação americana dedicada à promoção da cultura, conclui que quem lê regularmente por prazer tem uma vida muito mais ativa e bem sucedida do que aqueles que preferem passar o tempo livre vendo televisão ou dedicando-se a outras atividades que não exigem raciocínio. Para os primeiros, a vida é uma sucessão de novas experiências e de ampliação dos horizontes. Para quem se enquadra no segundo caso, a maturidade torna-se um processo de atrofia mental.

“A informação está cada vez mais ao nosso alcance, mas a sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, só pode ser encontrada nos grandes autores da literatura. Esse é o motivo pelo qual devemos ler”, disse a Veja o americano Harold Bloom, o mais importante crítico literário em atividade.

O bombardeio de informações é estonteante, mas a informação se mede por qualidade e não quantidade. Por isso temos às vezes a sensação, ao chegar no final do dia, que vivemos todos imersos em uma sociedade caótica. Sendo assim, os prazeres intelectuais, as diversões, a espiritualidade ficam em um segundo plano, secundário ou até mesmo esquecidos.

O americano Mark Edmundson, professor de língua inglesa da Universidade de Virgínia e autor do livro “Why Read?” (Por que ler?), desenvolve a tese de que a leitura “é a segunda chance que a vida oferece para o nosso crescimento pessoal”. Durante a infância e a adolescência, segundo ele, passa-se por um processo de socialização. Aprende-se o que é certo e o que é errado com os pais e os professores e se começa agir de acordo com o senso comum. Depois, é a leitura que nos permite desenvolver idéias próprias, conceitos e valores.

Não se trata, portanto, simplesmente de ensinar alguém a decodificar um código qualquer de comunicação, muito além, trata-se de fazer o sujeito ser capaz de verificar que o texto reflete na própria vida e os problemas lidos são atinentes ao seu tempo, pois a leitura não tem época, já que é atemporal e também situa além de qualquer espaço perfeitamente delimitado. A literatura como arte generaliza e nos coloca dentro do problema que discute.

A autora, Oeni Custódio Marins, é professora de literatura em Bauru, graduada em Língua Portuguesa pela Universidade do Sagrado Coração, com especialização em educação