07 de julho de 2026
Ser

Fotomaníacos

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Elas estão em todas as vitrines. Com o avanço das vendas no Brasil, as máquinas digitais invadiram o mercado. Segundo estatísticas da revista Veja deste ano, em 2001 foram comercializados 30 mil modelos; em 2003, o total subiu para 250 mil, quatro vezes mais do que em 2002. Em 2004, a previsão era de que o ranking atingisse 400 mil unidades - tirando as câmeras digitais acopladas nos celulares (veja outros produtos no texto abaixo).

A facilidade em manusear uma câmera digital - na maioria das vezes, para clicar, o foco é automático e basta enquadrar objetos e cenário - é um dos fatores que garantem seu sucesso, gerando fotomaníacos. O estudante de jornalismo Thiago Augusto Dorigo, 23 anos, é um deles. Possui dois modelos de equipamentos fotográficos: um analógico e outro digital, adquirido há cerca de um ano. Ele defende a praticidade do máquina digital, “acessório” indispensável em suas baladas e encontros com amigos.

“É ótimo tirar fotos digitais. Faço uma fotografia em um determinado dia e local e depois jogo no meu fotoblog ou no Orkut”, diz ele, referindo-se aos sites de relacionamento que, na maioria das vezes, “guardam” muitas fotos digitais.

Colecionar recordações também é o objetivo da estudante universitária Charlene Araújo Costa Figueiredo, 22 anos. Amante da fotografia, ela conta que já chegou a carregar os modelos analógico e digital na mesma bolsa. “Tirava foto de tudo. Quando queria revelar, produzia a imagem com a máquina convencional, além disso gosto do filme”, diz ela, que possui outros exemplares de câmeras analógicas.

Porém, motivada pela praticidade, resolveu aderir à moda dos celulares com câmera digital. Juntamente com a carteira, batom e outros apetrechos, o equipamento têm espaço garantido na bolsa da estudante. “Quando estou em algum lugar ou conheço alguém interessante, fotografo”, conta. A popularização das máquinas digitais segue na esteira da sociedade imagética, constantemente em ascensão. “Estamos no mundo do cinema, do vídeo e das imagens. A fotografia é um modo de expressão”, aponta a fotojornalista Joyce Guadagnucci, professora de fotografia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

“Aproveitando-se” desse cenário, o mercado fotográfico investe em tecnologia e em preços mais baixos para atrair consumidores. A dona de casa Lilian Carla Alves Moreira Theodoro diz que uma de suas próximas metas é comprar uma câmera digital. “Eu adoro foto, mas só tenho o modelo convencional. Mesmo assim, temos um álbum com cerca de 300 fotos da Bárbara, de 5 anos”, detalha.

Como Lilian, muitos pais se divertem tirando fotos de seus filhos. “Reconstruir a memória de uma família é maravilhoso. É bem positivo para as crianças, no futuro, o fato de poder olhar e visualizar a própria história”, aponta Joyce.

Além de guardar memórias, a máquina digital tem como vantagem menor custo, uma vez que não exige a ampliação de todas as imagens, como no processo do filme convencional, destaca a fotojornalista. “Pode ser uma boa idéia para viagens, por exemplo. Depois, as imagens reveladas podem ser arquivadas em um CD, que não corre o risco de estragar rápido como o negativo mal armazenado”, pontua.

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Opções

Fatores como praticidade, status e menor preço das máquinas digitais atraem grande parte dos consumidores, cada vez mais ávidos por tecnologia. Os modelos mais populares custam hoje entre R$ 600,00 e R$ 900,00.

Uma máquina de 2.0 megapixels (escala que mede a qualidade da fotografia) sai, em média, por R$ 630,00, aponta Renata Paiva, funcionária de loja fotográfica localizada no Centro da cidade. Um equipamento de 3.0 megapixels custa R$ 700,00, cerca de metade do preço do mesmo equipamento vendido há dois ou três anos.

Já uma câmera com 5.0 megapixels pode ser comercializado por R$ 900,00. “O modelo é bem mais avançado, com zoom ótico que tem a vantagem de aproximar os objetos da foto com mais qualidade”, diz Renata. Cada cópia impressa no tamanho convencional, 10x15 centímetros, custa, em média, R$ 0,70.

Acompanhando a comercialização das câmeras fotográficas digitais, diversos produtos co-relacionados ao equipamento ganham espaço no mercado. Entre eles está o CD, disco compacto para armazenar dados. Comporta, em média, 700 megapixels. Com a maior procura pela revelação digital, o acessório se tornou indispensável. Diversas lojas da cidade têm ainda a opção de digitalizar o filme convencional e gravá-lo em CD.

Nessa linha, o DVD conquista maior destaque. A exemplo do CD, serve para guardar dados, mas oferece muito mais espaço: mais de 4 gigabytes. A popularização do equipamento digital também resultou em convites ou lembranças de festas feitos em fotografia. Em alta principalmente para aniversários infantis ou casamentos, as fotos digitais impressas no produto chamam a atenção pela criatividade e tecnologia.