11 de julho de 2026
Política

Para Caio Coube, Lula perdeu autoridade; Estela Almagro enxerga crise apenas no PT

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A direção do PSDB e o comando do PT em Bauru tem a mesma opinião: a crise que trouxe à tona o pagamento do mensalão e outras denúncias de corrupção envolvendo parlamentares é grave. Porém, a leitura dos dirigentes diverge ao identificar as vítimas dos acontecimentos. Para Caio Coube, do PSDB, a crise atinge o PT e também o governo. Para Estela Almagro, do Partido dos Trabalhadores, a crise é exclusiva do PT.

Na avaliação que faz da situação política do País, Coube é ácido nas palavras. “O presidente Lula perdeu a autoridade moral”, afirma. Assim como milhões de brasileiros, o tucano também diz que está perplexo diante dos fatos que são revelados diariamente.

“Todos nós estamos indignados com a situação e também com as atitudes que são tomadas pelo comando do PT. O que se percebe é que existia um projeto de poder. E está claro que todos os meios foram utilizados para a manutenção do poder”, comenta.

Para Coube, o ponto central de toda essa situação resume-se a uma pergunta: o presidente Lula tinha conhecimento do mensalão e do esquema de corrupção no governo? “Que a cúpula do PT sabia, não há dúvidas. Mas também é um pouco difícil de acreditar que o presidente Lula não tinha conhecimento de nada que estava acontecendo”, diz.

O dirigente tucano até acredita que o presidente não participasse diretamente do esquema. “A cúpula do PT era companheira do Lula. Eles todos têm uma trajetória política e partidária comum. É uma situação delicada para ele (Lula). De alguma coisa, o presidente era beneficiário, em termos políticos, desse processo”, observa.

Ao ser questionado se o Congresso deve abrir processo de impeachment contra Lula, Coube lembra que por uma situação de crise política de grau menor, se comparada à atual, o ex-presidente Fernando Collor foi cassado.

“Mas o PSDB tem se pautado pela prudência. Acho muito sensata essa posição. O que tem que ser feito é investigar os fatos com profundidade, sem assodamentos, até porque a medida que envolve um processo de impeachment é extrema”, opina.

No contraponto da avaliação do tucano, a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, diz que é preciso fazer distinção para avaliar a atual situação política do País. Ela concorda com Coube de que o quadro é grave.

“Alguns setores da imprensa nacional, que nunca esconderam seus dissabores pelo PT, tratam a crise como se ela fosse geral, ou seja, uma crise de governo e do Partido dos Trabalhadores. Acho sim que vivemos uma grande crise, mas no PT”, afirma.

Na avaliação dela, a situação envolve a prática de alguns dirigentes do partido. “Principalmente aqueles que são os confessos. Esse é um momento histórico para o PT, no qual vamos ter que fazer um balanço geral. Aliás, já estamos realizando esse balanço. E está sendo um susto muito grande para a base do partido”, confessa.

Para a dirigente petista, “foi duro” receber a notícia do envolvimento do ex-tesoureiro Delúbio Soares e do ex-secretário-geral Silvio Pereira nas denúncias. “Eles estavam em todas as reuniões dos diretórios estadual e nacional, onde sempre também estive. Num segundo momento, ao vermos toda essas vísceras expostas é uma grande decepção”, diz.

A petista acredita que o partido só vai conseguir vencer a crise a partir do momento que for admitida a existência dela. “Mas volto a insistir que não é uma crise de governo. É uma crise que envolve o PT”, reforça.

A reportagem do Jornal da Cidade tinha outros questionamentos a fazer para Estela Almagro, mas a ligação telefônica caiu e o seu aparelho celular não mais atendeu as chamadas.

O clima de decepção também atinge outros partidos que ajudaram a eleger Lula presidente. O presidente do diretório municipal do PSB, Pedro Romualdo, lembra que já em 2003, a legenda, em seu site, opinava sobre os rumos que o PT e o governo estavam tomando no comando do País.

“Mas, sinceramente, não imaginava que seria tão grave”, comenta.

Na avaliação dele, a oportunidade deve servir não só para se realizar uma reforma política e partidária. “Acho que devemos aproveitar o momento para se fazer uma reforma de Estado”, opina. Romualdo, ao contrário de Caio Coube, não acredita que o presidente Lula tinha conhecimento e controle de toda essa situação.

“Os afazeres e compromissos do presidente são tantos que não acredito que ele estivesse a par de tudo isso que aconteceu. A cúpula do PT, como o ex-ministro José Dirceu, e o deputado João Paulo Cunha, com certeza tinham conhecimento dos fatos”, diz.