O radialista esportivo Ary Gomes sempre chegava cedo aos campos de futebol para instalar os microfones. Num domingo ensolarado, ao chegar ao campo da Santacruzense, Ary encontrou o médico do Noroeste, Assaf Hadba, tomando uma cerveja com o nosso colega da FNM-UB, Fauzer Banuth.
A conversa entre os três, apesar de rápida, esteve animada. Ary só se preocupou quando, no meio do papo, escutou a palavra “caipirada”. Conhecedor do ambiente hostil que cerca as disputas esportivas, Ary temeu pelo pior. Mais tarde, no decorrer da partida, um jogador do Norusca se machucou e Assaf deu um pique para atendê-lo, tornando-se alvo natural da torcida adversária.
Terminado o jogo, os ânimos ainda exaltados, Assaf e Fauzer estavam se retirando, quando são cercados por uma turba enfurecida. Todo de branco, Assaf foi o mais visado. Levou de cara um empurrão que o fez bater o rosto violentamente contra a parede, ocasiononando-lhe um ferimento corto-contuso.
Durante vários dias, Assaf viria a exibir pelos corredores da Santa Casa, como se fosse um estranho troféu, um largo esparadrapo no nariz. Já Fauzer foi mais feliz. A fração de segundo em que foi poupado foi suficiente para que ele colocasse em prática seu conhecido e lendário raciocínio rápido. Correu para uma carrocinha de sorvetes e começou a distribuir picolé para os agressores.
Conclusão: escapou ileso da “fria”, mas, em contrapartida, teve de acertar algumas dúzias de picolés com o sorveteiro...
Contada por Rui Bertoti