10 de julho de 2026
Economia & Negócios

INSS deve retomar rotina amanh

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Após 75 dias de greve, todas as agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devem retomar a rotina normal de atendimento amanhã, incluindo Bauru e região. De acordo com a chefe da agência local, Regina Maria Alves Gonzales, pelo menos nessas duas primeiras semanas de trabalho a prioridade em Bauru serão os requerimentos de auxílio-doença, pensão, auxílio-acidente, salário-maternidade e liberação de aposentadoria. O horário de atendimento nesta semana será ampliado, das 8h às 16h.

“Nós pedimos a colaboração da população para que somente os casos urgentes, como os segurados que precisam receber os benefícios de auxílio, sejam trazidos até nós. Nessas duas ou três primeiras semanas de atendimento nós vamos priorizar isso. Quem quiser entrar com pedido de aposentadoria, por exemplo, deverá agendar atendimento com hora marcada”, explica Gonzales.

O gerente-executivo do INSS em Bauru, Josué Lopes Moreira, informa que de quarta a sexta-feira desta semana o atendimento ao público será ampliado: das 8h às 16h. “No sábado haverá expediente, das 8h às 13h, basicamente para informações e esclarecimentos à população. Depois disso, nós avaliaremos a necessidade de continuar atendendo em horário especial na próxima semana.”

A agência do INSS em Bauru manteve funcionamento parcial durante a greve, atendendo casos urgentes. Mesmo assim, Regina Gonzales avalia que levará de três a quatro meses para colocar em dia os cerca de 500 processos represados durante os mais de dois meses de greve dos servidores.

“Mesmo com o atendimento parcial (mantido na greve), há muito serviço represado. Por isso é que contamos com a compreensão dos segurados para que esperem um pouco para nos procurar se o caso não for urgente. Contagem de tempo de serviço, por exemplo, pode ser feito pela Internet. Certidão de tempo de serviço também não será prioridade agora”, observa.

Segundo ela, durante o período de greve foram atendidas cerca de 400 pessoas por dia. Em situação normal, a média é de 600 segurados atendidos diariamente. “O tempo extra que os segurados vão ter que trabalhar a partir de quarta-feira vai depender da realidade de cada agência, ou seja, se manteve atendimento parcial (como em Bauru) ou se parou totalmente durante a greve”, aponta Gonzales.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e Previdência (Sinsprev), José Aparecido Antunes, ressalta que os servidores devem retornar ao trabalho amanhã em estado de greve. Isso porque, apesar do comando nacional de greve ter aceito a proposta oferecida pelo governo (leia mais no texto abaixo), a maior parte da categoria estaria insatisfeita com o acordo.

“Amanhã (hoje), às 10h, vamos nos reunir numa assembléia em São Paulo para tentar outra saída. Ao final de qualquer greve é feita uma assembléia de avaliação. O problema é que a bonificação a ser dada aos servidores (pela proposta) não será homogênea, porque haverá avaliação de desempenho, entre outros fatores. Outro problema é que os aposentados não estão sendo devidamente contemplados. Então, na minha opinião e de muitos servidores, a proposta é ruim.”

De acordo com Antunes, a tendência é de que a assembléia de hoje negue a proposta incialmente aceita pelo comando nacional de greve, na sexta-feira. “Mas como o comando concordou que as agências iriam reabrir nesta quarta-feira, nós vamos cumprir isso, porém, ainda tentaremos melhorar essa proposta.”

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Proposta

Na última sexta-feira, a reunião entre o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, representantes dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos ministérios do Planejamento e da Previdência, só terminou no início da madrugada de sábado, com o acordo entre as partes para o fim da greve.

Pelo acordo, o reajuste acertado nos salários da categoria, aposentadorias e pensões dos servidores inativos custará R$ 140 milhões aos cofres públicos, segundo Luiz Marinho. Em troca do trabalho extra dos servidores para atender o público em horário ampliado, o ponto não deverá ser cortado.

Ainda segundo o acordo, 60% dos R$ 140 milhões serão repassados como reajuste para os servidores da ativa. Já os outros 40% serão divididos entre ativos e aposentados.

A categoria deflagrou a greve no dia 2 de junho em protesto ao reajuste salarial de 0,1% inicialmente proposto pelo governo aos servidores federais.