O tombamento de um caminhão que transportava carga perigosa pela rodovia Marechal Rondon mobilizou várias instituições ontem em Bauru. Parte do solvente transportado vazou e escorreu pela canaleta da rodovia, a poucos metros do ribeirão Bauru. Uma contenção feita com terra e grama impediu a contaminação da água. O motorista do caminhão sofreu apenas escoriações leves.
O acidente aconteceu por volta das 4h30, no quilômetro 343 da rodovia, próximo ao Jardim Araruna. De acordo com a Polícia Rodoviária, o caminhão que transportava galões de tinta, solventes e outros produtos químicos trafegava no sentido Agudos-Avaí, quando o motorista perdeu o controle, tombando sobre a canaleta que separa as duas pistas do local.
Com a queda, alguns galões se romperam, despejando parte da carga na canaleta. Como a pista tem um declive no local, foi preciso fazer um dique para impedir que o produto químico escorresse e contaminasse a água alguns metros adiante.
Constatado o vazamento, a Polícia Rodoviária acionou o Corpo de Bombeiros e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambientel (Cetesb). A ação também contou com apoio da Defesa Civil e da Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) de Bauru.
O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, explica que a contenção do produto foi feita com mato seco das imediações e terra levada por um caminhão da Sear.
“O mais complicado foi despejar a terra nos dois pontos de contenção. Para que o caminhão pudesse manobrar, tivemos que interditar uma das pistas por aproximadamente três minutos, mas foi o suficiente para causar um congestionamento de aproximadamente dois quilômetros”, descreve.
Por precaução, o Corpo de Bombeiros também montou no local todo o equipamento necessário para espalhar espuma sobre o solvente, caso houvesse um princípio de incêndio, o que não ocorreu.
“O Brasil movimenta cerca de 5 mil veículos por dia transportando carga perigosa. Boa parte deles cruza o Oeste do Estado de São Paulo. O vazamento de hoje foi pequeno. Mas algumas das substâncias que circulam pelas rodovias poderiam destruir uma cidade inteira com um vazamento mínimo, como os produtos radiativos, por exemplo”, alerta.
Meio ambiente
O diretor da Cetesb, Alcides Tadeu Braga, informou à reportagem ontem à tarde que a equipe técnica responsável pelo caso ainda não havia encerrado a perícia no local do acidente.
Braga estima que tenham vazado aproximadamente 100 litros de solvente e tinta. “Felizmente, o líquido foi contido a tempo e não atingiu o corpo d’água. Ficou restrito à rodovia”, confirma.
Segundo ele, a remoção do produto do local é atribuição da empresa responsável pela carga e cabe à Cetesb acompanhar essa remoção. Questionado sobre uma eventual punição à empresa, Braga explicou que em caso de dano ambiental, as partes envolvidas podem receber desde advertência até a aplicação de multas.
“Mas como o produto não atingiu o rio, ficou restrito à canaleta e a empresa se comprometeu em adotar os devidos procedimentos de remoção do produto, a penalidade tende a ser menor. De qualquer forma, ainda estamos aguardando um parecer final”, informa.
Por volta das 14h de ontem, o diretor administrativo da empresa, Claudionor Pazian estava no local do acidente. Indagado sobre a causa do tombamento, ele informou que o motorista da empresa teria sido “fechado” por outro caminhão.
Ainda ontem, a parte intacta da carga (cerca de 50%) seria removida para outro caminhão, com posterior limpeza do local. Braga salienta que a empresa atende a todas as exigências legais de funcionamento, dispõe de todos os documentos exigidos por lei e se comprometeu a atender a todas as recomendações apontadas pela Cetesb no tratamento do local atingido.
Segundo o diretor da empresa, o prejuízo do acidente ainda não havia sido calculado, mas estimativas indicavam algo em torno de R$ 30 mil. “Tudo devidamente segurado”, acrescenta.