08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dois destinos


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Eram dois Jeans , um baiano , conterrâneo do nosso querido e doce Dorival Caymmi. O outro, mineiro, daquele histórico Estado que nos deu o intrépido e talentoso Ary Barroso. Ambos jovens, cheios de esperanças, cuja cumplicidade era com a vida , com a alegria de ser brasileiro, enfim, com a busca incansável de realizar seus sonhos. Lutaram bravamente para chegar ao sucesso, cada um ao seu modo.

Jean Wyllys, o bom baiano, foi mais feliz. Teve o privilégio de poucos ao conseguir participar de um programa televisivo de prêmios como foi o Big Brother Brasil da Rede Globo e ganhar um bom dinheiro. Este mesmo dinheiro que é a referência maior do nosso País capitalista , sobrepondo-se a tudo e a todos.

Quero crer que o Jean Wyllys alcançou e realizou seu sonho . Homossexual assumido, luta ele, é bem verdade, contra uma sociedade hipócrita e elitista que tem em seu seio o preconceito velado - e, às vezes, explícito e hediondo até - pelo homossexualismo. É um jovem corajoso e merece o nosso aplauso. Conseguiu seu lugar ao sol.

Já o pobre Jean Charles de Menezes, esbarrou numa outra forma de violência . Foi vítima, em princípio, da cruel realidade brasileira, da falta de emprego, da corrupção impune que se espalha por toda esta sofrida Nação. Partiu ele, cheio de esperança, a procurar lá fora a possibilidade de uma vida melhor para si e para os seus, mostrando ser solidário e possuidor de um coração nobre . Infelizmente, seu nobre e bom coração parou de bater numa estação de trem na cidade de Londres, na Inglaterra.

Os truculentos homens da polícia inglesa que combatem outra forma vil e atroz de ferir a humanidade - o terrorismo -, usaram, sem o mínimo critério, a mesma arma de combate, tirando a vida inocente de um ser humano, um brasileiro que procurava no estrangeiro encontrar o que lhe fora negado no seu querido País: a chance de trabalhar e viver com dignidade.

Restou a nós , compatriotas destes jovens, torcer para o sucesso do Jean Wyllys e pedir a Deus para que o outro Jean, o Charles de Menezes, descanse em paz. Até quando a violência, a mesquinhez, o egoísmo, a falta de amor, a desigualdade social e econômica e o maldito preconceito vão reinar entre os homens?

Fernando Lucilha Júnior - RG 5.023.414