O professor e escritor Sidney Ferreira Leite lança hoje, no câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o livro “Cinema Brasileiro – Das Origens à Retomada”, da Coleção História do Povo Brasileiro (Editora Fundação Perseu Abramo). A proposta da publicação é fazer um balanço sobre os impasses pelos quais passou o cinema nacional durante o século 20 – que, segundo o autor, nunca teriam sido superados – e quais as perspectivas surgidas nos últimos anos.
Leite revela que a idéia do tema do livro surgiu em decorrência de uma palestra que ele ministrou para os alunos de comunicação da Unesp, em Bauru, há alguns anos. “Minha intenção é discutir por que o Brasil não conseguiu consolidar uma indústria cinematográfica.
Segundo o autor, um dos principais problemas nacionais é o foco da indústria na produção dos filmes, deixando em segundo plano sua distribuição, divulgação e exibição. Ele ressalta os anos de destaque dos estúdios Atlântida e Vera Cruz, que mantiveram produções constantes com sucesso de público.
“Posteriormente, a Embrafilme cria um novo cenário, no final dos anos 60. Ela funciona primeiramente como distribuidora e depois se lança na produção dos filmes. É um bom momento, com grandes bilheterias e o retorno do espectador ao cinema nacional”, frisa o autor.
De acordo com a assessoria de imprensa da editora, “Cinema Brasileiro – Da Origem à Retomada” aborda a história do cinema desde seu início, com a disputa entre os irmãos Lumière, franceses inventores do cinematógrafo, e o norte-americano Thomas Edison, com seu vitascópio.
O livro é dividido em cinco capítulos: “A formação do cinema no Brasil”, que discute a primeira fase das atividades cinematográficas no País; “O Estado descobre o cinema nacional”, que se concentra no momento em que foram adotadas no Brasil as primeiras medidas de intervenção nas atividades cinematográficas; “A era dos estúdios”, que analisa a fase mais rica em tentativas de fundar no país uma indústria cinematográfica.
“A época de ouro do filme e do cinema nacionais”, capítulo mais longo do livro, abarca um período fértil não apenas em projetos como em realizações e que culmina com a formação do Cinema Novo. “A retomada das produções”, por fim, busca identificar as principais características do cinema brasileiro depois da trágica experiência do governo Collor e a extinção da Embrafilme.
“Para finalizar, cito casos de indústrias cinematográficas que deram certo por conta de algum tipo de intervenção ou agência reguladora, como a Argentina e a França”, relembra Leite, que atualmente é professor de comunicação e relações internacionais na Fundação Getúlio Vargas e Escola de Belas Artes, na Capital.
• Serviço
Lançamento do livro “Cinema brasileiro – Das Origens à Retomada”, de Sidney Ferreira Leite, hoje às 18h30, no auditório da biblioteca do câmpus da Unesp-Bauru.