08 de julho de 2026
Turismo

Refúgio latino

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Nem só de edifícios espelhados, ilhas artificiais, praias paradisíacas e mansões de artistas vive Miami. Existe o outro lado da moeda: a Miami dos imigrantes.

O contraste é visível nos bairros operários como a Litle Cuba, nas ruas, nos shoppings e até mesmo nas praias. Enquanto os poderosos circulam com seus Porsches e Ferraris rumo a Palm Beach, Bal Habbour e Fort Lauderdale, a massa trabalhadora vai para casa, depois de ralar, a bordo de carros sucateados.

Mas mesmo assim não há grandes arrependimentos de quem saiu de seu país e quem sabe até de um relativo conforto em busca do novo. Com “green card” ou não sabem que estão na democrática e moderna América, que nos anos 50 abriu seus braços para receber uma legião de imigrantes.

Somente em 1959 os Estados Unidos contabilizaram por conta da revolução cubana o desembarque de mais de meio milhão de cubanos contrários ao regime de Fidel Castro.

Na sequência, ansiosos por uma vida melhor longe da ilha , nos anos 80, mais 125 mil cubanos refugiaram-se em apenas quatro meses, em South Florida, segundo dados oficiais.

Atrás deles mais uma leva. Foram para Miami a fim de prosperar e mandar um dinheirinho para casa outros milhares de latinos, incluindo nicaraguenses, colombianos, venezuelanos, porto riquenhos, argentinos, equatorianos, mexicanos e, claro, brasileiros.

O último censo demográfico realizado na terra de tio Sam demonstra que 60% dos habitantes da Grande Miami são de origem hispânica. A maioria fala espanhol e inglês. Os americanos tiveram que aprender o idioma espanhol e os latinos o inglês. O jeitinho brasileiro também falou mais alto com o portunhõl correndo solto.

Do pântano à sofisticação

Os canais de água doce que a cortam deram nome à cidade. Miami na linguagem indígena significa água doce.

Localizada ao sudeste da península da Flórida foi descoberta pelos índios tequesta há mais de 10 mil anos e ocupada por eles até o redescobrimento espanhol, no século 16. Mas só se projetou para o mundo a partir de 1896 quando foi oficialmente fundada.

Cidade planejada - havia tanta água invadindo aquele trecho que era um pântano só - Miami deve sua projeção ao magnata da indústria Henry Flagler, responsável pela construção de cidades ao longo de sua estrada de ferro Florida East Coast Railroad.

Flagler fez tudo naquele pedaço, a começar para construção dos primeiros hotéis e linhas de trem ligando as cidades que fundava e que não contavam com qualquer infra-estrutura.

Transformou a terra de ninguém em algo fabuloso que passou a ser conhecido como Riviera Americana, atraindo norte-americanos em busca de sol, mar e mordomia.

Para contarem com privacidade construíram entre Dowtown e South Beach suas mansões em ilhas artificais que são os espelhos d’ água da cidade. Com direito a pier particular e heliponto. Os canais navegáveis de Miami tornaram as ilhas e os condomínios acessíveis aos turistas que, pelo menos de longe e dentro d’ água, descobrem onde Madona, Júlio Iglesias e até Xuxa costumam se bronzear em suas escapadas até a Flórida.

Quem planeja visitar Miami não precisa se preocupar com hospedagem. No centro ou na praia são inúmeras as opções para todos os bolsos e gostos. Incluindo hotéis “inn”, simples mas confortáveis com tarifas em torno de US$ 40 . E chiquérrimos freqüentados pelo “jet set” internacional, no melhor estilo seis estrelas.

O “quente” para quem está visitando a cidade pela primeira vez e não quer recorrer aos táxis, ônibus ou ao metrô de superfície é se hospedar e agitar no Distrito Art Decó em South Beach, famoso pelos predinhos de três ou no máximo quatro andares.

É nele que fica um dos cartões-postais do bairro: a mansão onde o estilista Versace construiu para curtir o ar puro e o calor da Florida e acabou sendo assassinado.

O distrito é um deslumbre principalmente para quem gosta de ver gente bonita, sarada, sem grilos, patinando sem camisa ou simplesmente caminhando com seus animais de estimação.

A badalação é constante, de dia e de noite, nas mesinhas espalhadas pelas calçadas e em frente aos hotéis que contam, claro, com serviçais latinos, incluindo muitos brasileiros.